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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008, 21h:31

LUIZ CESAR DE MORAES

Amar pode dar certo

Talvez você não tenha nenhum problema com o álcool. Pode ser que você e os membros da sua família consigam beber com moderação e passar ao largo das chamadas drogas lícitas. É possível que tanto você como as pessoas que fazem parte do seu círculo de amizades tenham conseguido manter-se afastados das drogas lícitas – uma verdadeira praga que perturba e prejudica uma enorme parcela da humanidade. Tudo isso pode ser possível, embora pouco provável, se considerarmos que o uso do álcool passou a fazer parte da história do ser humano, desde que o homem espremeu e fermentou as uvas. A grande diferença é que há um enorme contingente de pessoas – cerca de 86 por cento dos consumidores de álcool – que bebe sem causar problemas, tão-somente aproveitando os prazeres inebriantes provocados pelo álcool, que atua diretamente no sistema nervoso central do ser humano. Esse grupo é consciente dos perigos que o álcool representa, e raramente exagera na bebida. A dificuldade de se entender os problemas que o álcool provoca parece se situar exatamente na condição do grupo majoritário que o utiliza moderadamente, em contraponto a uma minoria que abusa da bebida com exagerada freqüência. A capacidade de moderação daquele grupo leva este a concluir, erroneamente, que também consegue moderar. Aí é onde mora o perigo: muitos dos que se incluem neste grupo perseguem até a morte a idéia falsa de que bebem quando querem e param quando querem. O mundo científico tem pesquisado sobre o álcool, mas pouco evoluiu sobre as causas da doença do alcoolismo, que passou a ser considerada como tal pela Organização Mundial de Saúde há menos de seis décadas. Uma das teorias mais aceitas tem sido aquela segundo a qual alguns seres humanos trazem consigo fatores predisponentes ao desenvolvimento da dependência do álcool, bastando apenas começarem a beber para que a doença se instale. Ainda persistem, no entanto, muitas controvérsias envolvendo o tema. Há correntes que creditam só à genética as causas do alcoolismo. Outras preferem dizer que a doença se manifestará sob essa ou aquela condição vivida pelo candidato. O melhor raciocínio, pelo menos do ponto de vista dos resultados, parece ser o do pessoal que há 70 anos deu início a uma associação a que chamou de Alcoólicos Anônimos – AA. São pessoas que se preocupam menos com as causas do que com as conseqüências do alcoolismo, concentrando esforços na busca das soluções. O mérito creditado aos fundadores daquela irmandade fica por conta da larga visão que tiveram, conseguindo sintetizar um programa filosófico de vida que vem sendo utilizado com sucesso por mais de 120 grupos de auto-ajuda. Além de ajudar doentes alcóolicos, o programa também é adotado por grupos de pessoas neuróticas, usuários de drogas, comedores compulsivos, dependentes do jogo e inclusive do sexo. Um programa que sugere que se aprenda a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Um programa cuja síntese é o amor. LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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