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ARTIGO
Sexta-feira, 02 de Março de 2012, 21h:36

PAULO ZAVIASKY

Algemas aos fugitivos dos tempos

Já estive no outro lado desses balcões de poderes políticos, inclusive e até presidente do PDS, não confundir com o atual PSD do Riva. Substituindo por pouco tempo a priminha Maria Amélia de Albuquerque que, por sua vez, substituía nosso saudoso companheiro jurista Clóvis de Mello que segurou a barra do PDS por ocasião da morte do Ludovico da Riva, uma das maiores expressões humanas e políticas de nosso Nortão. E, em seguida, enquanto a advogada Maria Amélia esteve provisoriamente na presidência do PDS, estive aprendendo filiações e partidarismos na Secretaria Geral por bom tempo. Ludovico surgiu de repente como candidato ao governo de MT e o nosso povo, enjoado de tantas firulas, dribles e mentiraiadas incompetentes dos eternos donos dos poderes mato-grossenses, mostrou perante as pesquisas eleitorais que ele detinha quase a unanimidade dos votos deste Estado. Por força do destino, numa viagem de retorno ao seu Nortão, numa pequena e antiga aeronave emprestada pelo colega e companheiro, o saudoso Marden Ayres, cujo piloto fora o motorista particular de Júlio Campos que o cedeu, houve o acidente fatal em que morreu Ludovico da Riva. O povo de MT ficou órfão de um grande homem, político humano, grande amigo particular e futuro governador, com absoluta certeza, que mudaria a cara deste Estado. Depois, surgiu o Julinho, certa noite, no Cuiabá Tênis Clube, de braços dados com o paulista Paulo Maluf e foram passando trator de esteira no PDS e criando um tal de PP, sem nos consultar e a ninguém daqui. Quando meus alunos e os ex-alunos da década de setenta da área do Direito e, principalmente, essa geração bonita de comunicadores sociais, principalmente do rádio, me indagam sobre a maquiagem solene dos políticos, como defini-las ou como perceber, recorro às palavras do Ludovico. “-Note o modo de andar dele”. O político “maquiado” com batom de poderes, pó de arroz dos eleitos, cílios postiços de altos cargos e salários, anda abertamente, sorrindo para todo mundo. Enquanto os derrotados somem, andam engruvinhados e encolhidos como fugitivos dos tempos das mordaças, falam baixinho e se sentem nus. Mas, aprendi que todo mundo nota isso quando está do lado de fora dos balcões dos poderes. Quem está do lado de dentro se esquece da provisoriedade dos cargos que nunca são eternos e nem se preocupam em preparar a escada da descida. Há os que até choram. Essas lágrimas serão ouvidas nestas eleições que se aproximam neste ano, pois o ano já começou nesta última segunda-feira após o Carnaval; a Semana Santa já está aí. As festas do Senhor Divino, São Benedito e as juninas batem às portas de nossas tradições e, também, passam tão rápido como o Carnaval deste ano que nem vi passar. Bem antes da festança eleitoral, já tem gente chorando bem alto que são até ouvidas em vários andares de apartamentos de prédios misteriosos daqui. É que sonhadores do futuro já estão sendo cassados desde agora, antes de receber as propinas das divisões das mentiras das lavagens de dinheiro do Brasil. Porém, os gritos de desespero que já ecoam desde agora em nossas noites cuiabanas são bem maiores. É porque alguns vereadores da capital já sabem, ou descobriram, que não podem mais dormir à vontade daqui para frente. Muitos serão acordados no meio da madrugada para sentir o frio de metal nos pulsos que as algemas das madrugadas produzem nos traidores do povo que acreditou neles. Já notaram quanta gente acaba de ser cassada, agora antes das eleições, por bandidaiadas segundo a Justiça Eleitoral? A propósito, sobre a entrevista no rádio de que participei nesta semana, o público insiste para que eu divulgue em quanto ficou o orçamento do pedreiro para tapar a goteira em minha casa. Não, não foram sete ou dezessete milhões de reais como a esotérica goteira da Câmara Municipal daqui... O cara me cobrou cinquenta reais. Achei caro! Barganhei e ele me cobrou quarenta reais. Pago em oito vezes, sendo o primeiro pagamento só após a Semana Santa. Todo o material foi cedido por ele. Ainda esqueceu a colher de pedreiro novinha em cima do telhado... Novas cassações-surpresas já estão chegando! *PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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