No meio de tanto alvoroço, com políticos brigando entre si, a polícia federal limpando a alma da gente e um bando de espertos tomando remédio para dormir, contra a insônia dos marginais, a copa do mundo de futebol é um bálsamo, principalmente quando somos classificados em primeiro lugar. Porém, ouvi uma preocupante indagação de velhos amigos sobre o nosso rio Cuiabá e a luta pela sua sobrevivência por causa do escandaloso menosprezo que os síndicos da capital promoveram até hoje contra o rio e contra o povo daqui. Todos os dias, bandeiras são levantadas por todo mundo em favor da água que todos bebemos. E, afinal, o que vemos? Apenas mentiras, doses cavalares de falta de consideração com todo mundo. Perguntei a famosos políticos daqui sobre programas de proteção ao rio e suas águas dentro das planilhas estratégicas de futuras administrações, caso vencerem as eleições. As respostas mais inteligentes que obtive foram de um candidato ao senado, outro que pretende ser governador e um briguento candidato a deputado federal. Disseram-me que vão lutar a favor do rio Cuiabá, pois são contra a divisão do Estado de Mato Grosso (???)... Acho que não entenderam bem a minha pergunta. Apenas o governador Silval Barbosa com quem não possuo ligação alguma a não ser educados bom-dia ou boa-tarde de seis em seis anos, aproximadamente, assim mesmo nas viagens ao interior do Estado que faço por questões profissionais particulares. E, Júlio Campos, ex-governador cuja amizade remonta a grandes lutas e conquistas do passado, ao lado do ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Giunchíglio Luiggi Bello, quando Cuiabá possuía uma Assembléia Legislativa Municipal, cujo poder emanava de grandes heróis de meu tempo. Afirmaram-me, Silval e Júlio, que já fizeram pronunciamentos e, não apenas isso, enviaram projetos e estudos urgentes para órgãos competentes exigindo cumprimentos às leis que já existem. Mais ainda que tudo isso, Silval exigiu resposta-Já nessas providências que urgem ser tomadas pela vida não apenas do rio Cuiabá, como de nosso povo que bebe dessa água. Julinho fez mais. Quando governador chegou a impedir loteamentos clandestinos que se criam, hoje, da noite para o dia, logo acima da estação de captação de água que é servida ao nosso povo. Mais ou menos o que o ex-prefeito José Meirelles o fez. Portanto, o enorme resto de políticos daqui nem sabem onde fica o rio Cuiabá, pois há até quem o chame de mar. Nem vou falar o porquê para não ser maçante. Mas, aqui, hoje, vou confidenciar uma coisa que sempre me deixa tranqüilo, mesmo com a confusão da copa mundial de futebol, com o zero a zero contra Portugal, com os feriados, com o anúncio da festa de S. Benedito, com a Exposição Agropecuária de Cuiabá, com o festival de inverno em Chapada dos Guimarães... Bebo com tranqüilidade a água de nossa SANECAP. E, também digo por que. Lá dentro da administração do Chico Galindo há um nome da estirpe do Frederico Campos na administração dessa empresa nevrálgica. E tem um engenheiro químico do porte do Édio Ferraz. Frederico é tão cri-cri com as coisas e causas públicas que até declara no seu imposto de renda um velho e riscado anel simples de sua formatura como engenheiro que ainda usa com muito orgulho e caso falte um pneu da lista de estoque da empresa SANECAP, ele faz o que fez recentemente: denuncia na hora e fica cobrando respostas das autoridades investigativas. E o Édio Ferraz largou o hospital onde estava internado por uma operação de apendicite e foi trabalhar sem ordens médicas, por ocasião daquela criminosa quanto safada falta de cloro e outros elementos químicos para o tratamento de nossa água. Ele me disse que prefere que falte água... E, se liberar a água, ela tem que ser tratada mesmo. São pessoas assim que fazem a nossa verdadeira história. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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