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ARTIGO
Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010, 19h:54

ANDERSON FLORES

A violência na escola

Um telejornal local (Alta Floresta/MT), de 24/08/2010, noticiou mais uma cena de violência envolvendo dois adolescentes: um de 14, outro de 16 anos. Um dos adolescentes desferiu uma facada em outro adolescente. O motivo não foi explicitado. Não é a primeira vez que este tipo de ação acontece em Alta Floresta. Meses atrás uma adolescente recebeu uma facada enquanto descia do ônibus escolar. Ela também era menor de idade. Outros episódios de violência em escolas em Alta Floresta já aconteceram, embora nem sempre tenham sido noticiados pela mídia. Os fatos, obviamente, não são isolados, vários telejornais de âmbito nacional apresentam esse tipo de notícia, como, por exemplo, no dia 13/08, em Sorocaba/SP, o adolescente de 15 anos que esmurrou e jogou objetos em uma adolescente na escola para exibir o vídeo na famigerada internet. A sociedade, com baixíssimo nível ético, parece considerar normal a “desgraça”, a pancadaria e a violência de toda espécie. A mídia, em geral, apresenta a violência como se fosse moda, como se fosse normal. A indústria do entretenimento por sua vez explora o mercado do “sangue” com jogos e outros produtos do gênero, especialmente para as crianças. Entre os adultos, a indústria da (in)segurança apresenta os mecanismos para se livrar da violência. Resultado disso são casas parecidas com fortalezas ou prisões, crianças, adolescentes e jovens violentos e doentes socialmente. Além do “enclausuramento” das pessoas, forçando-as a consumir os meios virtuais de relacionamento, instaurando uma patologia sociopsicológica. Dessa realidade fazem parte a Escola e todas as instituições que a sociedade criou para manter da “ordem e o progresso”. Sem espaço adequado de ensino-aprendizagem, começa-se a instaurar uma “guerra” na sala de aula, na relação entre professor e aluno, sobretudo no ensino médio. Talvez, estimulada também pela já quase dissolução de papeis de professor/aluno e pela máxima de que “ninguém ensina ninguém”, tão propagandeada pela “escola ciclada”. Esta última, fruto do construtivismo, braço pedagógico do neoliberalismo na educação, ajudou a colocar no lugar do conhecimento e dos conteúdos socialmente elaborados os produtos esvaziados da indústria. Ajudou a transformar o mercado em deus. Dessa forma, tudo o que for determinação do “deus mercado” passa ser a verdade. A mídia, como os oráculos da antiguidade, transmite as ordens do seu deus com seu fabuloso aparato tecnológico. O professor, profissional da educação, está a mercê do resultado da indústria da “desgraça”. A violência física tem sido cada vez mais constante nas escolas das grandes cidades e, aos poucos, vem se apropriando também de cidades médias e menores, como Alta Floresta. É uma guerra nacional! Precisamos nos preparar pelo menos para garantir a integridade física, já que a psicológica tem sido afetada pela constante violência verbal/simbólica. Além disso, o professor, principalmente das séries iniciais, tem sido obrigado a assumir o lugar de “babá”, psicólogo, inspetor entre outros. Quando não o faz, quase toda a culpa do fracasso recai sobre sua figura. Urgentemente, algo deve feito. Nenhuma situação de violência, como as expostas aqui, pode ser naturalizada. No mínimo as instituições responsáveis pela educação, como Secretarias Municipais, Secretarias de Estado, Centros de Formação, Universidades, Faculdades devem se posicionar, discutir, encarar a dura realidade da educação brasileira. *ANDERSON FLORES - Professor de Produção de Texto e Leitura da UNEMAT, Campus Universitário de Alta Floresta. email: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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