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ARTIGO
Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013, 20h:27

YURI RAMIRES

A realidade assusta

Não é a primeira vez que uso este espaço para falar sobre a violência contra a mulher, que parece crescer a cada ano em Mato Grosso. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou mais casos de estupros em 2012 do que assassinatos dolosos (com intenção de matar). Entende-se por estupro a prática não-consensual do sexo, de forma violenta e sem pudor. Logo, foram registrados 1.204 ocorrências no Estado, resultando em uma taxa de 38,6 a cada 100 mil habitantes. A tendência tende a piorar, uma vez que a quantidade de registros dessa prática também cresceu no Brasil. Foram 50.617 casos registrados no mesmo ano. A realidade assusta. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, classificou o resultado como uma "vergonha que a sociedade brasileira precisa superar" e ainda pediu o fim da impunidade dos agressores, o combate ao preconceito sexista, respeito às diferenças e o apoio e acolhimento às vítimas. É realmente uma vergonha, presidente, ainda mais ao levar em consideração que as políticas de violência contra mulher estão se enfraquecendo e se mostrando insuficientes diante do cenário alarmante. Dados comprovam, também, que a violência geralmente é praticada por pessoas conhecidas. Ou seja, estão sendo feitas por maridos, namorados, amigos e familiares. Segundo Organização Mundial de Saúde (OMS) das Nações Unidas, o espaço doméstico é considerado um dos mais perigosos. Logo, denunciar o agressor é complicado. Além disso, muitas vítimas não querem se expor, tornar público que isso aconteceu com ela. A sociedade olha diferente sim. Ainda existem pensamentos arcaicos que culpam a vítima pelo ato. Isso é fruto da cultura machista, problemática que influencia de forma direta em todos os tipos de violência do gênero. Essa cultura que culpabiliza as vítimas pelo ato precisa ser mudada, e diante disso, nasceu o movimento SlutWalk, na tradução, Marcha das Vadias. Em todo o mundo, a marcha protesta contra a visão de que o estupro não acontece devido ao comportamento da mulher. Elas usarem roupas provocantes argumentando que o corpo é delas e as regras também, ou seja, uma mulher emancipada contra qualquer preconceito de gênero, com opinião própria, forte e atuante na sociedade. Pode-se concluir também que a prática do estupro está ligada as diferenças de gênero propagadas pelo machismo e que a ineficiência das leis de proteção às vítimas, bem como as que enquadram o agressor, são visíveis. Mato Grosso precisa ampliar a discussão do problema. Casos devem ser identificados, agressores precisam ser punidos e as vítimas amparadas. YURI RAMIRES é repórter

Edição EDIÇÃO 16965




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