A Secretaria de Turismo ainda não dimensionou o valor dos investimentos públicos e privados para que Cuiabá venha a sediar a Copa de 2014. Em palestra há algum tempo o atual diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, falou em R$ 2 bilhões de recursos públicos em infra-estrutura, em transportes e em estádios. Deve ser, no mínimo, isso mesmo, porque os projetos são muito ambiciosos. Cito a seguir o nome de todos os 26 projetos, e um pouco de detalhamento para que o leitor tenha uma idéia mínima do tamanho do evento sobre a qual está se falando. Os projetos são: estádio, entorno do estádio, transporte e infra-estrutura, centros de treinamentos, parques de eventos fan-parques (explicados mais abaixo), suporte de infra-estrutura, ciência e tecnologia, acomodação, hotelaria e turismo, comunicação, marketing e notícias (espera-se 30 mil jornalistas), melhorias no visual da cidade, saúde pública, gerenciamento de desastres, eventos da Fifa, proteção e segurança, justiça, leis e protocolos, voluntariado, sustentabilidade, gerenciamento de gastos, fechamento de negócios, portos e mercadorias, suprimentos, comunicação e cultura, legados, coordenação e financiamentos. Cada um desses projetos se desdobra em um sem número de ações complexas, caras e de grande envergadura. Na realidade, pode-se antecipar que a região de Cuiabá e a capital em particular, se transformará em um pesado canteiro de obras de infra-estrutura viária para a ampliação e a abertura de novas avenidas e vias de acesso, a preparação para receber um ano antes a Copa das Confederações, disponibilidade e alternativas de energia elétrica com amplas exigências ambientais da Fifa, transformações arquitetônicas de Cuiabá, sob a orientação da Fifa, preparação de capital humano envolvidos na realização da copa do mundo, a montagem de discussões para se administrar posteriormente o legado que ficará ao fim da copa. Por detrás de tudo isso estará um gerenciamento chamado de Green Goal, que impõe severíssimas regras ambientais para toda e qualquer atividade em torno do evento da copa, descendo ao nível de, por exemplo, detalhar as emissões dos motores dos grupos geradores que possam usados como alternativa para a energia elétrica. Os fans-parques serão locais onde as pessoas que não conseguirem ingressos para as partidas possam assistir aos jogos com uma infra-estrutura adequada, respeitando a sustentabilidade. Estão previstos quatro fans-parques dentro da cidade. Concretamente, a partir do dia em que a Fifa anunciar a decisão, se Cuiabá for a sub-sede escolhida será deflagrado um planejamento em três fases, que já está esboçado, para atender ao evento. É extremamente complexo, caro e urgente. Em artigos anteriores muitos leitores questionaram o eventual aproveitamento do evento por políticos. Depois de olhar o esboço do planejamento, tenho dó de quem for tocar tudo isso. Ao final, por mim, pode aproveitar politicamente o tanto que quiserem, porque terá sido uma barra arranjar tudo isso dentro do prazo de cinco anos e pouco até a copa, em 2014. Pro que vem aí, 2014 é amanhã! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
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