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ARTIGO
Terça-feira, 23 de Novembro de 2010, 20h:21

CAROLINA HOLLAND

A Agecopa e as obras

O projeto da Arena Pantanal tem recebido elogios e prêmios desde que foi apresentado como o palco dos jogos que acontecerão em Cuiabá durante a Copa do Mundo de 2014. O projeto de mobilidade urbana também merece ser alvo de elogios, pois vai dar outra cara para a cidade, além da expectativa de trazer melhorias para o trânsito. Isso se todas as obras previstas saírem do papel, o que, pelo menos até agora, parece pouco provável. O ceticismo é alimentado pelos recentes problemas enfrentados pela Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo de 2014 (Agecopa). Na semana passada, o Tribunal de Contas do Estado notificou a agência a prestar esclarecimentos sobre procedimentos administrativos que apontam tendência de irregularidades. Dias antes, a Agecopa teve contratos suspensos por falhas nos processos licitatórios envolvendo obras de desbloqueio e de mobilidade urbana em Cuiabá. Isso fora a fiscalização do Ministério Público do Trabalho que constatou que os trabalhadores da Arena Verdão atuam sob risco de acidentes e sem proteção. Mas os problemas já existiam antes mesmo da suspensão dos contratos e da notificação por parte do TCE. A Agecopa tem se mostrado incapaz de cumprir cronograma fixado pela própria agência. A despeito das declarações de seus diretores, as obras estão atrasadas. As de desbloqueio, por exemplo, deveriam ter começado em agosto. Dois meses depois, apenas uma delas estava em execução. As outras foram barradas por problemas licitatórios. A agência parece ser incapaz até mesmo de escolher empresas que vão executar obras consideradas mais simples, como a pavimentação asfáltica de algumas ruas e avenidas da cidade (caso das intervenções que deveriam estar em execução), que fazem parte das obras de desbloqueio. Nem todas precisam estar prontas antes do projeto de mobilidade urbana sair do papel, mas algumas delas são essenciais, pois vão desafogar o já caótico trânsito nas principais ruas da cidade quando as grandes obras forem feitas. Se até mesmo a pavimentação dessas ruas parece ser enorme desafio à baixa capacidade de execução de projetos da Agecopa, fica difícil imaginar como e quando serão feitas as outras obras bem mais complexas previstas no projeto de mobilidade urbana da cidade. O próprio presidente interino da Agecopa Yênes Magalhães admitiu recentemente que o tempo passou a ser o maior adversário da Agecopa. O fato de ele estar ciente disso é um bom avanço, mas não é o suficiente. *CAROLINA HOLLAND é repórter

Edição EDIÇÃO 16959




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