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Sábado, 19 de Maio de 2007, 14h:21
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Vereadores acusam Pessine de articular o esquema em Sinop
O ex-secretário de Desenvolvimento e Meio Ambiente de Sinop, Jair Pessine, também preso na Operação Navalha, é acusado por vereadores de ter se infiltrado de forma premeditada no staff da prefeitura para articular o esquema de desvio de dinheiro público. A suspeita é de que a licitação em favor da construtora Gautama, de propriedade de Zuleido Veras, tida como central da fraude, tenha sido costurada após Pessine ter financiado parte da campanha de Nilson Leitão à reeleição. As suspeitas são acrescidas do fato de Pessine ser considerado um "forasteiro" no município. "Ele morava no AlphaVille, em São Paulo, e apareceu do nada em Sinop e passou a morar num hotel. O que nos causa maior estranheza é que Pessine entrou na prefeitura e logo depois que o projeto foi aprovado no BNDES, no fim do ano passado, ele foi embora da cidade", declara o vereador sinopense Mauro Garcia (PPS). José Pedro Serafini garante que todo o controle das contas do município acabou sendo centralizado na figura de Pessine. Ele relata que ao contestar os valores do projeto do Executivo perante o relatório elaborado pela empresa de engenharia contratada pela Câmara, o secretário de Finanças Astério Gomes disse desconhecer os números da receita municipal apresentados no projeto ao BNDES. "Ou seja, o prefeito acabou dando toda autonomia para esse pilantra que é o Pessine. Ele foi plantado na prefeitura com total liberdade para agir", acusa o parlamentar. O ex-secretário foi preso no Maranhão na quinta-feira, dia em que a Operação Navalha foi deflagrada em nove Estados e Distrito Federal. O prefeito Nilson Leitão foi preso no mesmo dia, em Sinop, e recambiado no final da tarde para Brasília, onde deve prestar depoimento amanhã. Ambos estão presos na superintendência da Polícia Federal. Ao todo foram 47 presos na operação. Também foram expedidos 84 mandados de busca e apreensão pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), três deles em Mato Grosso. Foram apreendidos dois malotes de documentos em Sinop, apreendidos na casa de Leitão, na prefeitura e em uma fazenda. As investigações começaram em novembro do ano passado e o processo corre em segredo de Justiça. De acordo com as informações da PF, os articuladores do esquema estavam infiltrados em prefeituras, nos governos estaduais e no governo federal. A prática criminosa se baseava no desvio de dinheiro destinado a obras públicas, via licitações fraudulentas, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. As licitações incluíam projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos. O panorama das investigações aponta como principais fontes de recursos usurpadas na fraude os ministérios de Minas e Energia, Integração Nacional, Cidades e do Planejamento. O Departamento Nacional de Infra-estrutura dos Transportes (Dnit) também era outro alvo da quadrilha. O esquema ainda era articulado nos Estados de Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão e também no Distrito Federal. Na esfera municipal, as prefeituras identificadas até agora são Sinop e Camaçari, na Bahia. (JS)