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Primeira Página
Sexta-feira, 01 de Novembro de 2013, 19h:25

ENTREVISTA

Única definição do Pros é apoio à Dilma

Presidente da nova sigla, Valtenir Pereira nega ter deixado PSB apenas para ficar na base, mas proximidade aos petistas se traduz em discurso

THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
Apesar de negar que a mudança de legenda tenha a finalidade de permanecer na base da presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Valtenir Pereira revela que, até agora, o único encaminhamento do recém-criado Pros é apoiar a reeleição da petista. A afinidade se traduz em detalhes de seu próprio discurso como o fato de usar o termo “companheirada”, tão característico ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para se referir aos militantes da nova legenda. Ao migrar para o Partido da Ordem Social, Valtenir provocou um esvaziamento do PSB no Estado. Levou consigo 11, dos 12 prefeitos eleitos pela sigla socialista em 2012. A debandada resultou em acusações de que ele estaria usando suas emendas parlamentares para ‘chantagear’ os gestores. Em entrevista ao Diário, ele nega. Afirma que o motivo real é o desejo dos prefeitos de continuarem recebendo o apoio e orientação política que ele proporciona. O fato, todavia, terminou de estremecer a relação já conflituosa com o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, e a deputada estadual Luciane Bezerra, que passaram a comandar o PSB em Mato Grosso. A situação é tão delicada que o parlamentar preferiu nem avaliar a atuação da deputada. Afirmou que sequer foi seu eleitor em 2010. Quanto ao prefeito, Valtenir se limitou a afirmar que espera que Mendes faça um bom trabalho por Cuiabá. Mesmo com a brecha jurídica para que detentores de mandato migrem de partido sem perderem os cargos, o partido que será comandado por Valtenir no Estado não conseguiu a adesão de deputados estaduais e, nem mesmo, vereadores em Cuiabá. O parlamentar, todavia, não vê a falta de representatividade nas duas Casas como um problema. Segundo ele, é agora que a legenda pretende avançar e conquistar cadeiras na AL. O deputado também falou sobre a investigação da Polícia Federal por suspeita de participar de um esquema de “caixa 2” que desviou mais de R$ 1 milhão para campanhas políticas. Em junho, o Diário noticiou que a agência AS&M Publicidade e Marketing, que atuou na campanha de Valtenir em 2010, confirmou à PF que o serviço foi pago pela empresa Ideia Digital, pivô de um escândalo de desvio de dinheiro público na Paraíba. O valor seria de R$ 235 mil em despesas não declaradas durante a eleição. Valtenir é suspeito de ter beneficiado a empresa em um projeto de inclusão digital em Sinop. Ele, todavia, nega as acusações e diz que até hoje não foi notificado sobre qualquer coisa. Também criticou a atuação da PF, que classificou como “maldade”. Apesar disso, não crê que será prejudicado no pleito do ano que vem, quando, aliás, diz que disputará a reeleição e não o Senado. DIÁRIO - O Pros nasce em Mato Grosso sem representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara de Cuiabá. O senhor acredita que isso pode ter impacto no desempenho do partido na eleição do ano que vem, tendo em vista que serão eleitos deputados estaduais e federais? Seria um impacto negativo ou positivo? VALTENIR PEREIRA - Não. Nós temos que analisar o cenário como um todo. O Pros está presente em 106 municípios. Em Cuiabá, por exemplo, tem o deputado federal Valtenir, tenho base em Cuiabá, voto em Cuiabá, meu domicílio eleitoral é aqui. Foi aqui que eu comecei. Já temos 158 vereadores, 14 prefeitos e 11 vice-prefeitos. O Pros nasce com força, com muita vitalidade política. Seria interessante que tivéssemos [vereador em Cuiabá], lutamos para isso, mas temos outra forma de compensar. Estamos organizando o partido, buscando lideranças. Neste primeiro momento, nós buscamos lideranças com mandato, agora vamos focar nas lideranças que não têm mandato para fortalecer ainda mais o partido. DIÁRIO - Qual a expectativa do partido em relação à representatividade na Assembleia Legislativa na eleição de 2014? Almeja eleger quantos deputados? O principal projeto é eleger o senhor para o Senado? VALTENIR - Temos a pretensão de eleger dois deputados estaduais, em uma faixa de 10 a 12 mil votos. Sobre o principal projeto, nós vamos discutir com os companheiros, com os colegas. Buscar saber qual o sentimento do partido, saber qual o melhor projeto para o Pros. A minha perspectiva é de candidatura a deputado federal, construir e fortalecer isso. DIÁRIO - A crítica que se faz ao PROS é que ele surgiu para abrigar políticos que queriam permanecer no arco de sustentação da presidente Dilma Rousseff (PT). O senhor é um exemplo de quem deixou o PSB logo quando o partido saiu da base. Qual é o propósito da nova legenda? VALTENIR - O Pros tem como bandeira a redução da carga tributária, é a espinha dorsal do seu programa partidário. Vamos trabalhar pela redução da carga tributária. Isso aconteceu no Nordeste, mais precisamente no Ceará. O Cid [Gomes] reduziu a carga tributária sem diminuir a arrecadação. Este exemplo mostra que é possível. O Ciro Gomes e o Cid defendiam desde o início a composição com a presidenta Dilma, o apoio [do PSB] a este arco de aliança da presidenta. Em razão de não terem sido ouvidos, os irmãos Gomes buscaram seu espaço no Pros e vão ajudar muito a presidenta Dilma a conquistar a reeleição. DIÁRIO - O Solidariedade, que nasceu praticamente ao mesmo tempo em que o Pros, diz já ter uma chapa proporcional pronta e nomes disponíveis a uma eventual candidatura majoritária, se assim julgarem necessário. O Pros também já está com os preparativos para a eleição tão adiantados? VALTENIR - Nós vamos conversar com a ‘companheirada’. Temos que conversar com os nossos filiados. Nós precisamos ouvir e saber o sentimento partidário, saber qual é a linha de ‘apoiamento’. Nós deixamos muito claro nas nossas conversas para atrair filiados é que, em nível nacional, o partido apoia a presidente Dilma e que, no estadual, nós estamos autorizados para definir qual o melhor projeto para Mato Grosso desenvolver. Agora é a hora de começar a construção. Neste fim de semana eu passo por Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Dom Aquino, São Pedro da Cipa, Primavera do Leste, Poxoréu, Rondonópolis, Juscimeira e Jaciara para dialogar com a nossa base partidária. Não no sentido de apoio, vamos deixar a discussão de apoio a uma candidatura para fevereiro do ano que vem. Ainda não temos nome para governo, nem projetos bem definidos. Então, é hora de organização partidária, fortalecimento e preparação do partido. DIÁRIO - Essa brecha da Lei da Fidelidade Partidária, que permite a troca de detentores de mandato eletivo no caso de partido novo, não desvirtua completamente o espírito da lei? VALTENIR - Não. A construção de um partido político tem um propósito, no caso do Pros, a carga tributária, essa é a linha mestre, é o viés programático do Pros. Diante deste viés, as pessoas aderiram ao Pros. Então, é perfeitamente possível a construção partidária com um novo programa. O Brasil é grande e heterogêneo nos pensamentos, então cabe vários partidos. DIÁRIO - Com quem o Pros deve caminhar em 2014, com a oposição ao governo do Estado ou com os partidos que compõem a base aliada do governador Silval Barbosa (PMDB)? Já existe algum diálogo com alguma legenda neste sentido? Qual? VALTENIR - Ainda é muito cedo para iniciar essa discussão, este debate. O único encaminhamento que nós temos, que é uma questão nacional, é o apoio à presidenta Dilma. Nos estados o partido está liberado para dialogar com todas as forças políticas. Nós vamos buscar aquele projeto que melhor atende os interesses de Mato Grosso. Nas nossas conversas ainda não há nenhuma outra força política. DIÁRIO - Entre os possíveis candidatos ao governo do Estado Eraí Maggi (PP), Pedro Taques (PDT), Maurício Tonhá (PR) e Julier Sebastião da Silva, quem o senhor prefere? VALTENIR - Nós vamos debater isso com a base do partido, levar esses nomes que estão sendo colocados e ouvir até outros nomes que, por ventura, a base colocar. DIÁRIO - Como está o inquérito do caso Ideia Digital, no qual o senhor foi envolvido? O senhor sente que pode ter sua candidatura em 2014 prejudicada por esta denúncia? VALTENIR - Não atrapalha. Estou aguardando manifestação das autoridades. Até o momento não fui notificado sobre nada. Tudo que tenho conhecimento são especulações. Eu não destinei nenhuma emenda. Houve uma maldade da Polícia Federal, porque aquele inquérito não foi aberto para me investigar, logo o delegado não poderia ter me mencionado da forma que mencionou. Há equívocos naquelas informações. Estou absolutamente tranquilo porque não destinei nenhuma emenda para o Estado da Paraíba. A empresa não é beneficiaria de nenhuma emenda minha. No momento certo, tudo vai ficar devidamente esclarecido. DIÁRIO - O senhor foi acusado pelo PSB de usar emendas parlamentares para ‘chantagear’ prefeitos a migrarem para o Pros, lhe acompanhando. Como o senhor encara isso? VALTENIR - É uma leitura equivocada dos ‘contra’ só porque eu migrei para o Pros. O que existe é uma construção partidária. Isso é fruto de um trabalho que nós começamos desde 2007. Quando assumimos o partido (PSB), ele tinha cinco mil filiados, hoje já são mais de 20 mil, então, é fruto de uma construção partidária que envolve dedicação. Nos dedicamos, desde 2011, preparando os nossos candidatos a vereador, prefeito e vice-prefeito. Essa é a primeira etapa. Na segunda etapa, participamos da construção das vitórias dos vereadores, prefeitos e vice e, em seguida, nós avançamos na contribuição para o exercício do mandato. Fizemos seminários sobre como atuar em cada área. Isso traz um sentimento de continuidade, então, eles vieram para o Pros, para continuar esse trabalho de construção e fortalecimento. Foi um processo natural que estava sendo feito. Não foi oferecido nem um copo d’água para aderirem ao Pros. DIÁRIO - Faça uma avaliação da política da deputada estadual Luciane Bezerra (PSB). VALTENIR - Quem sou eu? Eu não sou eleitor dela, não tem como fazer uma avalição política. DIÁRIO - Faça uma avaliação da política do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB). VALTENIR - Eu acho que tem se esforçado muito para fazer um trabalho bom. Torço para que ele realmente faça um ótimo trabalho para Cuiabá, porque a população merece. Estou à disposição para contribuir e colaborar.

Edição EDIÇÃO 16964




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