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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

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Sábado, 07 de Março de 2009, 11h:40

ESCÂNDALO SEXUAL

Um mês depois, caso Ralf sem definição

Comissão de Ética não concluiu relatório, inquérito ainda não ouviu parlamentar e Sindicância da PM espera defesa do parlamentar

RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
Um mês após o episódio do envolvimento sexual do vereador Ralf Leite (PRTB) com o travesti de 17 anos D.B.S.C. no Zero-quilômetro, em Várzea Grande, conhecida área de prostituição, a trama iniciada no dia 6 de fevereiro passado promete “novos capítulos”. A Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá promete concluir na próxima semana o processo de investigação que apura se houve quebra de decoro parlamentar. Os advogados de Ralf leite têm até o dia 9 próximo para apresentar a defesa por escrito aos vereadores que compõem a Comissão de Ética que são Everton Pop (PP) na presidência e Domingos Sávio (PMDB) na relatoria, além de Adevair Cabral (PDT) na condição de membro titular. "Analisaremos a defesa e, se necessário, faremos acareação, o que acredito que não vai acontecer", disse o vereador Domingos Sávio. Segundo o parlamentar, já há documentos suficientes para emissão do parecer final que poderá pedir a cassação do mandato de Ralf Leite por quebra de decoro parlamentar ou implicar apenas em uma suspensão temporária do mandato. "Falta apenas a defesa do vereador", garantiu. Ele comenta que será desnecessário ouvir pessoalmente o travesti menor de idade. "Estamos recebendo do Ministério Público a transcrição da fita que trata da audiência na qual o travesti menor de idade detalhou a versão ao promotor Rinaldo Segundo. Não queremos constrangê-lo e tampouco traumatizá-lo". Se o relator emitir parecer favorável à perda do mandato de Ralf Leite, o processo terá andamento apenas se outro membro da Comissão de Ética acompanhar a decisão, pois são necessários no mínimo dois de três votos possíveis. Nessa situação, a decisão dos parlamentares Everton Pop e Adevair Cabral fará a diferença. No entanto, a cassação só será concretizada se em plenário a maioria dos 19 vereadores optarem a favor. Já a Sindicância da Polícia Militar, aberta após o episódio para apurar se houve tentativa de extorsão dos PMs envolvidos no caso, conforme prega no seu discurso o vereador Ralf Leite, também está na reta final. "Estamos aguardando a versão do parlamentar e vamos concluir na próxima semana mesmo se não houver apresentação da defesa", disse o tenente-coronel Wilson Batista, responsável pelo comando dos trabalhos. A intimação da Polícia Militar para ouvir Ralf Leite se deu por meio de divulgação no Diário Oficial do Estado, Câmara Municipal e pela assessoria jurídica do parlamentar. Os policiais militares envolvidos no caso já prestaram esclarecimentos em uma oitiva que teve a presença de advogados da OAB. O travesti menor de idade também apresentou sua versão ao comando da PM, sendo acompanhado por representantes do Ministério Público. Após a conclusão, será enviada à Corregedoria da PM a decisão da sindicância. O depoimento do vereador na Delegacia de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) ainda não foi marcado, mas deverá ocorrer ainda neste mês. A delegada Mara Rúbia de Carvalho é a responsável pelas investigações que buscam verificar se houve crime de exploração sexual. Em declarações anteriores, a delegada afirma que há indícios para uma punição que pode durar de quatro a dez anos de prisão. Em sua avaliação, a exploração sexual acontece através do oferecimento de dinheiro ao adolescente. No entendimento da delegada, por mais que se insista na tese de que o travesti não seja tão inocente assim, cabe ao adulto orientar o adolescente a não seguir no caminho errado da prostituição.

Edição EDIÇÃO 16964




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