Primeira Página
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008, 22h:00
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ARCO DE FOGO
Senadores cogitam até trancar a pauta
Em visita a Mato Grosso, Comissão Externa de Risco Ambiental do Senado condena forma como governo federal conduz operação
O senador relator da Comissão Externa de Risco Ambiental do Senado, Expedito Junior (PR-RO), em discurso, ontem, em Sinop, pediu a união dos partidos para o trancamento da pauta do Senado, caso o governo federal não atenda as reivindicações recebidas durantes as visitas in loco da comissão. Para ele, os senadores não devem se intimidar com o modo de agir do governo federal e devem agir com firmeza na busca de uma solução para os problemas enfrentados nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará, os mais afetados com as medidas da União contra o desmatamento. Uma comissão de senadores esteve ontem no município para uma audiência pública. O presidente da comissão, senador Jayme Campos (DEM), achou que todo o aparato armado para a realização da operação Arco de Fogo era desnecessário, com a presença da Força Nacional e da Policia Federal. Para ele, tudo não passou de uma malfadada ação que poderia ser inteligentemente revertida para a fiscalização das fronteiras do Brasil com outros países, coibindo a ação de traficantes. O senador mato-grossense afirmou que entre os próximos trabalhos da comissão haverá uma interpelação entre os senadores e o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, em relação a divulgação dos contraditórios números referentes ao desmatamento no Estado. Ele também não descarta a realização de uma convocação dos responsáveis da PF e Força Nacional que dão suporte à ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). A audiência pública foi marcada por apresentações de muitos documentos de protestos e de apresentação de soluções. O presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras (Sindusmad), José Eduardo Pinto, entregou um relatório contendo todas as manifestações da entidade. Entre elas, está o pedido para que os senadores formem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Ibama, a retirada de Mato Grosso da Amazônia Legal e a extinção da Medida Provisória (MP) 2166. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, também entregou um relatório com reivindicações aos senadores. A Federação pede a suspensão da Operação Arco de Fogo [mesmo pedido feito pelo Sindusmad], e também a suspensão da lista contendo os 36 municípios embargados pelo governo federal. As diligências em Mato Grosso contarão com a participação do presidente da comissão, senador Jayme Campos (DEM), e do relator, Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Também integram o grupo os senadores Gilberto Goellner (DEM), Expedito Júnior (PR-RO) e Leomar Quintanilha (PMDB-TO). A comissão foi instalada em 10 de abril deste ano com o objetivo de, em 12 meses, verificar o risco ambiental em que vivem 36 municípios localizados em Mato Grosso, Pará e Rondônia, relacionados no "mapa do desmatamento" elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Dados divulgados em janeiro deste ano pelo Ministério do Meio Ambiente indicavam, preliminarmente, um desmatamento na região amazônica de 3.235 quilômetros quadrados - 53,7%, em Mato Grosso; 17,8%, no Pará; e 16%, em Rondônia - de acordo com informações destacadas no Plano de Trabalho da comissão.