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Quinta-feira, 19 de Março de 2009, 21h:47
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CUIABÁ
Recursos há, mas obra do PSM não sai
Por meio de convênio, em março de 2008, a prefeitura recebeu mais de R$ 5,3 milhões do Ministério da Saúde para reforma do pronto-socorro
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Caos, sucateamento e demanda de atendimento reprimida. Assim se encontra o Pronto-socorro Municipal de Cuiabá. Isso não acontece por falta de recursos financeiros e sim por opção da prefeitura, que em março de 2008, recebeu mais de R$ 5,3 milhões de parte de um convênio maior firmado com o Ministério da Saúde para ampliar, reformar e equipar o PSM, mas optou por adiar essas obras para o segundo semestre deste ano. O prefeito Wilson Santos (PSDB) não se encontrava ontem, em Cuiabá, mas a existência do convênio de R$ 8 milhões com mais R$ 800 mil de contrapartida do município - e o desembolso pelo Ministério da Saúde de R$ 5.336.000 foram confirmados pelo secretário municipal de Saúde, Luís Soares, que também admitiu que nenhuma obra está em execução e que nenhum equipamento foi comprado. O dinheiro estaria aplicado à espera do momento certo para sua destinação. Soares argumentou que o convênio com o Ministério tem o objetivo de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) em Cuiabá e que a prefeitura optou por reformar, ampliar e modernizar a rede de policlínicas, para reduzir o número de atendimento do PSM. O secretário acredita que no segundo semestre deste ano as obras nas policlínicas serão concluídas e que a partir de então o PSM será fechado, e quando reabrir somente atenderá casos de urgência e emergência, ao contrário de agora, que tem funcionamento abrangente e inclusive recebe pacientes de Várzea Grande, do interior, de outros estados e até da vizinha Bolívia. Quanto à parte dos recursos do convênio que se destina à compra de equipamentos Soares foi lacônico: temos que admitir que houve falha. A falha, no entendimento dele, não é da prefeitura e sim do Ministério da Saúde, que começou a casa pelo telhado, ou seja, liberou dinheiro para a compra de equipamentos antes que as instalações fossem adequadas aos mesmos. A opção da prefeitura em postergar a reforma e modernização o PSM até então não era de domínio público. A transferência de mais de R$ 5,3 milhões do Ministério para o município, também não. Ele (Wilson Santos) não tinha alternativa, justifica o secretário de Comunicação da prefeitura, Maurélio Menezes, acrescentando que para a realização das obras seria preciso fechar o Pronto-Socorro. Soares observou que Cuiabá é a única Capital brasileira que ao invés de hospital público de referência tem um pronto-socorro nessa condição. O discurso dos secretários Soares e Menezes é afiado. Ambos não economizam críticas ao Ministério e nenhum revela que tipo de obra será realizado no Pronto-Socorro. Em Brasília, a assessoria do Ministério não se pronunciou sobre o caso. Enquanto secretários tentam explicar as razões que levaram a prefeitura a retardar as obras do Pronto-Socorro, a reclamação é generalizada contra o atendimento que ali é prestado aos pacientes do SUS. Isso aqui está um lixo; fede, e a fila é muito demorada, lamentou Virgínia Lopes de Arruda, moradora do Jardim Florianópolis, que ontem bateu às portas do Pronto-Socorro. Virgínia não sabia que o governo federal repassou recursos à prefeitura para a reforma do PSM. Nem com dinheiro nas mãos eles conseguem fazer alguma coisa, arrematou.