Primeira Página
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2009, 21h:41
A
A
ESCÂNDALO SEXUAL
Ralf se licencia e continua com salários
Após ser preso em flagrante em companhia de um menor, vereador por Cuiabá alega problema de saúda para se afastar da Câmara
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
Após se ver acuado pelo escândalo sexual que se envolveu com um travesti de 17 anos, o vereador Ralf Leite (PRTB) renunciou ontem ao cargo de segundo vice-presidente da Mesa Diretora e, de quebra, pediu licença da Câmara pelo prazo de 90 dias sob a alegação de problemas de saúde. O período de licença não permite que o primeiro suplente de seu partido, Antônio César da Silva, o Totó César que conquistou 3.045 votos, ocupe sua vaga. Para a posse do suplente, seria necessário o titular pedir afastamento acima de 120 dias. Sem abrir espaço ao correligionário, Ralf Leite continuará recebendo mensalmente o salário de R$ 9,2 mil e ainda outros benefícios como verba indenizatória no valor de R$ 9 mil. Durante o afastamento, o parlamentar promete fazer tratamento psicológico no Hospital Sarah Kubitschek em Brasília. Em um rápido pronunciamento aos jornalistas no gabinete do presidente da Câmara Municipal, Deucimar Silva (PP), Ralf Leite disse ser inocente das acusações de desacato à autoridade, falsidade ideológica e de que estava embriagado no ato da prisão ocorrido na sexta-feira quando, segundo a Polícia Militar, tentava comprar favores sexuais numa zona de prostituição em Várzea Grande. A prisão foi em flagrante e ele estava em companhia do menor D.B.S.C. e que pagou R$ 30,00, conforme declaração do menor, pelo programa. Afirmo que tudo não passa de uma armação e sei que a verdade vai prevalecer. Estou abatido e é uma injustiça com a minha família que está desmoralizada. Estou me licenciando por motivos de saúde e por questão de ética e morosidade a esta Casa peço o meu afastamento, declarou. Ralf Leite ainda disse ter sido mal-interpretado quando declarou após ser liberado da prisão de que era 100% heterossexual e que a mulherada de Cuiabá sabe disso. Na verdade queria dizer que as pessoas que desconfiavam da minha sexualidade deveriam perguntar as pessoas mais próximas que convivem comigo, retratou-se. O vereador ainda voltou a acusar os policiais que o prenderam de praticar atos de corrupção na tentativa de livrá-lo do episódio. Fui vítima de uma armação, os policiais tentaram me extorquir, mas por ser jovem não compactuo com a corrupção, justificou. Após as declarações, os jornalistas tentaram questioná-lo a respeito da afirmação de ser chantageado pelos policiais militares e no que se baseava para alegar que estava sendo vítima de uma armação. No entanto, o parlamentar se recusou a responder e, escoltado pelos advogados, saiu pelas portas do fundo da Câmara Municipal. A assessoria jurídica do vereador que se intitula representante da transparência, moralidade e juventude disse que não iria repercutir mais o assunto.