O vereador Ralf Leite (PRTB) não compareceu ao depoimento na sede do Comando Regional II da Polícia Militar, na manhã de ontem. O parlamentar foi intimado a comparecer para prestar depoimento sobre suposta prática de extorsão pelos policiais que o prenderam no dia 6 de fevereiro em flagrante com um travesti de 17 anos de idade. Apesar de o seu advogado ter afirmado anteriormente que Ralf estaria presente à audiência, a defesa encaminhou um documento à PM informando que o parlamentar não iria depor. Uma das justificativas é de que já há um procedimento disciplinar por quebra de decoro parlamentar aberto na Câmara Municipal, que pode resultar na cassação do mandato eletivo de Ralf. Segundo o presidente da sindicância militar, tenente-coronel Wilson Batista, a ausência de Ralf Leite não prejudica em nada as investigações. No entanto, ele considerou que a presença do vereador seria importante para ele mesmo, já que a denúncia partiu do próprio Ralf. Batista explicou que já na segunda-feira o relatório final será entregue ao chefe do Comando Regional II, coronel Sampaio. Se o parecer for pela ausência de indícios de extorsão o caso será arquivado. Em caso de indícios da prática de extorsão, o caso é encaminhado à Corregedoria de Justiça da PM. A partir daí, o caso correria na 11ª Vara da Justiça Militar. Foram ouvidos pela sindicância nove pessoas envolvidas: os dois policiais que abordaram Ralf Leite, um sargento e dois tenentes que estavam de plantão no dia do fato, um major do 4º Batalhão e os PMs que foram acionados via rádio no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Além disso, o menor de idade foi interrogado na presença do Ministério Público de Poconé. Wilson Batista também explicou que, em caso de arquivamento do processo, cabe aos policiais a decisão de acionar ou não Ralf Leite na Justiça por calúnia e difamação. Na avaliação dele, nesse caso, as denúncias de Ralf ofenderam não só os policiais. Isso feriu uma instituição séria que há mais de 170 anos defende a nossa sociedade, declarou. Ralf foi intimado a depor na sindicância. Como não tem imunidade, não poderia enviar sua defesa por escrito, como fez na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá. Qualquer cidadão pode fazer uma denúncia em caso de crimes praticados por policiais. Cabia a ele vir aqui sustentar sua denúncia feita no dia em que foi preso, concluiu.