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Sexta-feira, 13 de Março de 2009, 20h:02
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COMPRA DE VOTO
Ralf depõe e diz ser alvo de perseguição
Vereador Ralf Leite (PRTB) prestou depoimento ontem ao juiz Rondon Bassil Dower Filho. Ele é acusado de crime eleitoral
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
O vereador Ralf Leite (PRTB), acusado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de comprar votos no dia da eleição por meio da entrega de ticket-combustível a motoristas, disse ontem que acredita ser alvo de perseguição do promotor eleitoral Marcos Machado. A declaração partiu durante a audiência pública comandada pelo juiz Rondon Bassil Dower Filho e acompanhada pelo promotor João Augusto Veras Gadelha na sede da 1ª Zona Eleitoral, que formulou a denúncia contra o parlamentar, acatada pela Justiça. Visivelmente apreensivo, passando constantemente as mãos nos rostos e cabelos e negando qualquer prática de crime eleitoral, Ralf Leite pediu que a audiência fosse momentaneamente paralisada. Após consultar seus advogados Sérvio Túlio Jacob e Marcela Balieiro Soukef, por cerca de dois minutos, o parlamentar colocou sob suspeita os trabalhos do promotor Marcos Machado. "Acredito que o promotor tem uma rixa pessoal comigo, porque quando era secretário de Saúde do Estado houve um desentendimento na assinatura de um contrato de comodato com o Hospital Militar onde o meu pai [coronel Edson Leite] era diretor", disse. Antes de pedir interrupção para consultar seus assessores jurídicos, Ralf disse que nada tinha a alegar contra Marcos Machado. O parlamentar também é acusado pelo MPE de comprar o apoio político de um detento do Centro de Ressocialização de Cuiabá (presídio do Carumbé) oferecendo dinheiro, cartões telefônicos e objetos de entretenimento. As duas representações são assinadas pelo promotor João Augusto Veras Gadelha. O promotor eleitoral Marcos Machado é o responsável pelo flagrante dado em um posto de combustível no dia da eleição, 5 de outubro do ano passado. Naquela ocasião, Edimara Adne da Costa Cortez, Wequeson de Souza Barbosa Lima e Edson Leite da Silva Júnior, irmão de Ralf Leite, foram presos pela Polícia Federal com R$ 1.230 divididos em notas de R$ 10, santinhos, recibos assinados pelo então candidato e blocos de requisição de combustível e lista de relação de carros de apoio. Antes de iniciar a audiência, os advogados de Ralf tentaram adiá-la alegando que o MPE havia oferecido denúncia se valendo de duas investigações ocorridas em datas diferentes e com objetivos diversos. No entanto, foi rechaçada pelo juiz Rondon Bassil. "Os indícios oferecidos são suficientes para a abertura de uma ação penal e por isso foram aceitas", justificou o magistrado ao indeferir o pedido. Seguindo a linha de recusar qualquer participação na prática de crimes eleitorais, Ralf Leite alegou que no dia denúncia de compra de votos estava em casa e não deu ordem aos coordenadores de campanha, Augusto Botelho e Luciano, para comprar votos. O parlamentar disse ainda que na véspera da eleição não participou de reuniões com os coordenadores. "Estava ansioso e resolvi ficar em casa para orar", alegou. Durante a audiência, Ralf Leite não soube informar a origem do dinheiro apreendido e por que seu irmão estava no posto de combustível onde foi preso, além de não dar explicações como os 'santinhos' estavam sendo distribuídos no local porque, segundo ele, foram confeccionados mais de cinco milhões. No entanto, disse conhecer Edmara Adne da Costa e Wequeson de Souza Barbosa, que ajudavam a pedir votos na campanha.