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Sábado, 03 de Junho de 2006, 14h:36
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REGRAS ELEITORAIS
Minirreforma eleitoral causa desemprego
Normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, após serem votadas no Congresso, não agradaram empresários do setor de brindes
ADRIANA MENDES
Da Reportagem
É certo que os escândalos do mensalão e valerioduto reforçaram a tese de mudanças e garantiram a aprovação da minirreforma eleitoral. Na prática, o que se espera é diminuir o custo das campanhas eleitorais. As mudanças, no entanto, terão reflexo direto nas empresas que confeccionam material de propaganda. O empresário Leonir Rodrigues de Silva Júnior, proprietário da Personalité, uma empresa de brindes de Cuiabá, diz que a medida pegou o setor de surpresa. Eu achei que não ia passar, confessa. A empresa demitiu 50% dos funcionários do setor de produção e todo o investimento em novos equipamentos foi cancelado. O empresário acredita que a medida tira o direito do cidadão comum candidatar-se, beneficiando quem já tem um mandato. Como um novo candidato vai ficar conhecido?, questiona. Estão proibidas nesta eleição as distribuições de chaveiros, camisetas, bonés ou qualquer outro tipo de material que possa proporcionar vantagem ao eleitor. Nas empresas gráficas a expectativa é diferente. Apesar da proibição de cartazes e outdoors, as gráficas esperam trabalhar muito com panfletos, informativos, jornais, santinhos e praguinhas (adesivo que se cola na roupa), embora os dois últimos sejas proibidos, apesar de não explicitados nas regras eleitorais. Mas também é bom lembrar outro ponto importante, o volume de trabalho também dependerá da situação financeira dos partidos. Acredito que, ao contrário do que muita gente está dizendo, o volume de trabalho nas gráficas irá aumentar entre julho e setembro, analisa Júnior. Historicamente, as eleições brasileiras são marcadas por irregularidades, o voto de cabresto, a compra de votos ou mesmo fraudes na apuração. As novas regras prometem um novo cenário para as eleições 2006. A grande dúvida é saber se realmente as proibições vão garantir um pleito mais honesto. O publicitário Osmar Soares é a favor da proibição dos cartazes na campanha eleitoral. Os prefeitos não estão com muita grana para manter a cidade limpa, justifica. Por outro lado, Soares avalia que as medidas trazem alguns percalços na mídia. Para o publicitário, houve um erro na proibição dos outdoors, tornando-se uma medida desnecessária. Eu acho que outdoor não causa prejuízo nenhum à sociedade e essa regra não irá coibir abuso econômico. O outdoor seria o local adequado para a propaganda. Osmar Soares acredita que a campanha eleitoral de 2006 será mais difícil para os candidatos com poucos recursos e coligações com menos tempo de TV. Para ganhar visibilidade, segundo o publicitário, o candidato vai ter que comprar um megafone e sair gritando e, além disso, fazer muito corpo a corpo. Contratar um carro de som pode ser uma saída. A realização de comícios e a utilização de aparelhagem de sonorização fixa são permitidas no horário das 8h às 24h. Estão proibidos os showmícios e inclusive eventos semelhantes para a promoção de candidatos, como a apresentação, remunerada ou não, de artistas para animar uma reunião eleitoral.