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Primeira Página
Segunda-feira, 03 de Maio de 2010, 21h:50

‘SUPERFATURAMENTO’

Maggi diz que chorou com as denúncias

Governador diz que episódio tirou o ‘brilho’ da sua saída do governo em março para disputar uma vaga no Senado

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Em sua primeira reunião política na capital, desde que deixou o Palácio Paiaguás, o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Blairo Maggi (PR), admitiu ontem que as investigações envolvendo denúncias de superfaturamento no programa ‘MT 100% equipado’ tiraram o brilho de sua saída da chefia do Executivo. Ele revelou que chegou a chorar ao saber das denúncias. “Fiquei extremamente magoado com tudo isso. É algo que tirou a alegria de concluir o meu mandato, que foi bem avaliado pela população durante todo esse tempo. Falhas ocorreram sim e isso agente reconhece, mas não acredito em má fé”, declarou o republicano. Sem citar nomes, ele sugeriu que os envolvidos no escândalo fossem afastados temporariamente de seus cargos para não interferir nas investigações. Como um dos últimos atos enquanto governador, Blairo entregou 705 máquinas e caminhões aos 141 municípios do Estado, adquiridos por meio de financiamento junto ao BNDES, no valor de R$ 241 milhões. Ainda no cargo, ele determinou que a Auditoria Geral do Estado (AGE) investigasse denúncia anônima de que as licitações foram fraudadas, ocasionando prejuízos na ordem de R$ 26,5 milhões aos cofres públicos. A mesma denúncia foi encaminhada ao Ministério Público que determinou a abertura de inquérito policial para investigar as suspeitas. Ao avaliar o episódio, Blairo também admitiu desdobramentos políticos, contudo, frisou que não deixou de cobrar apuração das denúncias. “Acredito que tudo ocorreu porque o governo previa um pagamento em 180 dias e pagou tudo à vista a partir da liberação do dinheiro pelo BNDES”, explicou Maggi, afastando a hipótese de pagamento de propina a servidores durante as licitações. Ele reconhece o fato como erro administrativo. Questionado sobre a saída do secretário de Administração do Governo, Geraldo De Vitto, cogitada após o pedido de afastamento do secretário de Infraestrutura, Vilceu Marchetti, Maggi preferiu não polemizar dizendo que a decisão ficará a cargo do governador Silval Barbosa (PMDB). “Essa é uma decisão de governo. Como governador, sempre defendi que qualquer pessoa envolvida em denúncia deve se afastar do cargo para deixar mais à vontade as investigações”, afirmou, confirmando que pediu ao então secretário Vilceu Marchetti para que ficasse no cargo até buscar a devolução do dinheiro referente aos juros pagos a mais aos empresários que forneceram os equipamentos ao Governo. Conforme o MPE, a suposta fraude ocorreu na indexação indevida de juros e não-aplicação do desconto de ICMS nas aquisições. Embora admita reflexos em seu projeto político, Maggi não considera a hipótese de abandonar candidatura. “Só não serei candidato se o grupo entender assim dentro de uma discussão de formação de aliança. Particularmente, não retiraria o projeto agora. Mas também sempre disse que a questão de Senado não é algo de vida ou morte”, finalizou. Na próxima semana, Blairo dá início à sua pré-campanha com um estradeiro pelos municípios do Estado, a exemplo do que fez assim que assumiu o Governo, em 2002. Devem participar integrantes de aliados como o PMDB e PT.

Edição EDIÇÃO 16962




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