Primeira Página
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2008, 22h:37
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AMBIENTE LIMPO
Maggi crê em mudanças com novo governo
Sob a gestão do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, governador observa tendência de reduzir gases poluentes
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O governador Blairo Maggi (PR) admite que a chegada de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos pressionará países em desenvolvimento, como o Brasil, a reduzir os índices de emissão de gases poluentes na camada atmosférica. Numa relação direta, estados da Amazônia Legal, entre eles Mato Grosso, deverão ser cobrados ainda mais para que encampem a redução dos desmatamentos. O alerta foi feito ontem, durante palestra proferida por Maggi em Washington (EUA). Quando estive na Califórnia, há 15 dias, o Obama fez um anúncio de que seu governo estará comprometido com as questões ambientais, como o aquecimento global. Esse é um tema praticamente ignorado pelos republicanos. O Brasil já tem metas e tem planos de redução de emissões de CO2 na atmosfera. O Brasil poderá ser mais pressionado para diminuir o ritmo do desmatamento, declarou o governador, em alusão à recusa do governo Bush em firmar acordos internacionais de redução da emissão de CO2. A análise abre a série de palestras que Blairo Maggi fará nos Estados Unidos na nova missão internacional. Ele havia acabado de retornar do mesmo país, onde participou da Conferência de Governadores Sobre Clima Global, em Los Angeles, na Califórnia. O evento anterior foi organizado pelo governador Arnold Schwarzenegger. As declarações de Maggi se dão no mesmo dia em que o governo Lula assinou o Plano Nacional Sobre Mudança no Clima, que embute ações de preservação ambiental até 2017. A meta imposta para a redução do desmatamento da Amazônia é de 40% até 2010, considerando os índices registrados de 2006 a 2010. Diante da platéia de alunos e estudiosos da Universidade de Georgetown, Maggi, contudo, fez o apelo habitual para que Mato Grosso seja visto com olhos diferenciados pela comunidade internacional. É importante ter isso em mente porque a Amazônia não é homogênea. Há muitas diferenças entre os estados que têm território no bioma, afirmou Maggi, ao mencionar a existência de três biomas em Mato Grosso. O governador também voltou a defender a compensação financeira pela prestação de serviços ambientais como o grande mote num novo programa mundial de redução de emissão de gases poluentes. Ao menos em Los Angeles, a tese teria arrebanhado elogios, incluindo reações positivas por parte de membros ligados à causa ambiental global. O pagamento em prol da preservação da floresta é uma idéia que vem ganhando corpo nas rodadas de discussões mundiais, sem deixar de lado notas de polêmica. De acordo com informações divulgadas pela assessoria de imprensa do governador, logo depois da palestra, Maggi se encontrou com o diretor do Centro de Estudos da América Latina da Universidade de Georgetown, Arturo Valenzuela, e com o diretor do Centro de Estudos Brasileiros da instituição, Bryan McCann. Hoje, Maggi irá expor suas análises no Cato Institute, também em Washington. O roteiro da nova viagem internacional também prevê visitas ao Arkansas e Illinois.