Primeira Página
Terça-feira, 28 de Abril de 2009, 20h:11
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CONJUNTURA ESTADUAL
Maggi aponta Fagundes à vaga do Senado
Ao contrário do que se imaginava, Blairo Maggi informou que a decisão é madura e demasiadamente analisada
SONIA FIORI
Da Reportagem
Um dia após anunciar que não disputará a eleição 2010, o governador Blairo Maggi (PR) falou na tarde de ontem sobre a sua decisão. Demonstrando tranquilidade, o chefe do Executivo assegurou que a sua posição é madura e demasiadamente analisada. Porém, deixou claro que a opção é temporária, ou seja, que poderá ingressar num novo processo sucessório a partir de 2014. Apesar de mostrar amadurecimento na decisão, Maggi evita apontar diretamente os motivos que o levaram a optar pelo afastamento da disputa, mas destaca que também é uma preferência da sua família. Ele não quis apontar possível decepção com o cenário político. Longe dos holofotes, o governador admite a chance de ingressar no projeto nacional do PT, inclusive, assumindo espaços na conjuntura federal como o possível comando de um ministério. Sem terno e descontraído, ele deu uma entrevista coletiva rápida ontem à tarde, instantes depois de participar de um evento na Secretaria Estadual de Infraestrutura. Pergunta A sua decisão ainda não foi bem compreendida. O que realmente levou o senhor a tomá-la? Blairo Maggi - Veja bem. Essa não é uma decisão que eu cheguei ontem aqui e anunciei: oh, é assim... Primeiro, é uma decisão tomada com muita tranqüilidade, de muito tempo. Eu venho avaliando essas questões políticas e cheguei à conclusão de que deveria fazer esse comunicado ao partido no dia de ontem [anteontem] porque nós temos eleições que estão chegando por aí, as composições devem ser feitas e, portanto, achei que não deveria mais empatar. Ou seja, segurar essa questão e sim deixar que tudo corresse na normalidade. Então é isso: é uma decisão tomada com toda tranqüilidade. Pergunta - A família pesa? Maggi - Veja bem, a minha família - em 2002 quando decidi disputar a eleição - eu tive o apoio deles, mas um apoio assim: talvez fosse melhor não ir, ou seja, sempre fazendo essa observação. Agora, quando os comuniquei de que não seria mais candidato em 2010, obviamente foi uma alegria lá em casa. Todo mundo não só, da minha casa - da minha mãe, dos meus cunhados, da própria empresa - todo mundo ficou muito contente com a decisão. Embora eu tenha feito questão também de dizer que essa é uma decisão temporária. Eu não quero me afastar totalmente da política e, portanto, não descarto a possibilidade de no futuro disputar um outro cargo. Mas no momento em 2010, eu quero de fato parar. Não quero disputar nenhum cargo, quero descansar um pouco. Como disse: quero voltar a andar em Mato Grosso sem a Secom [Secretaria Estadual de Comunicação] atrás de mim, sem segurança, e poder ouvir e ver tudo aquilo que a gente fez e assim ter uma avaliação bem completa do que foi feito. Pergunta - O senhor pode voltar a disputar um cargo eletivo em 2014? Maggi - Posso voltar a disputar um cargo eletivo em 2014. Vai haver eleições gerais de novo. Não necessariamente ao cargo de governador. Eu nem sei o que vai estar acontecendo até lá. Uma coisa é dizer assim: estou fora da política e não volto mais e não quero mais. E outra é dizer: olha, eu quero um tempo. Então há a possibilidade de eu disputar um cargo eletivo no futuro. Tentar o Senado talvez daqui a quatro anos. Pergunta - Nesse momento a política de alguma forma decepcionou o senhor? Maggi - Não. Às vezes chateia a incompreensão de algumas pessoas, a incompreensão de quem escreve também. Mas no dia-a-dia a gente sabe que isso faz parte da política e que não se deve guardar rancor dessas coisas. Pergunta - E politicamente como fica o PR? O partido não enfraquece com essa decisão? Maggi - Eu creio que não. O partido tem muitos nomes. Vamos trabalhar daqui para frente para reforçar nossas chapas de deputado federal, deputado estadual e o partido certamente irá apresentar um nome na minha substituição, ou um nome ao Senado. Mas também não dá para o partido querer tudo. O partido não é dono de tudo, ele precisa negociar, conversar com os demais partidos. Então, com toda tranqüilidade: acho que agora o partido vai ter que discutir com bases mais reais, porque uma coisa é ter o governador do partido e outra coisa é ter um partido que precisa ser construído como o nosso. Pergunta Haveria algum nome que o senhor defenderia para ocupar uma vaga ao Senado pelo PR? Maggi - Eu acho que hoje temos vários nomes no partido, mas um nome que tem se colocado há algum tempo é o deputado Wellington Fagundes, que já tinha manifestado esse interesse de disputar. Portanto acho que a bola está com o deputado Wellington e ele deve falar agora se aceita esta incumbência. O partido deve conversar com ele nos próximos dias, mas temos também outros nomes que podem vir a disputar. Pergunta - O senhor também teme que o DEM e o PP se distanciem? Maggi - Não. Acho que o DEM permanece. Eu não sei se na eleição, mas no governo permanece. Nós temos um governo que foi conquistado junto, desde 2002. Vamos conversar. Não sou candidato, mas vou participar do processo de discussões. Pergunta - O senhor pode assumir algum posto no projeto do PT nacional para colaborar nas eleições de 2010? Maggi - Eu já me coloquei à disposição do presidente Lula numa oportunidade e também à ministra Dilma. Estou pronto a qualquer chamado que o presidente ou a ministra vier a fazer para ajudar na campanha, que eu confio que será vitoriosa em 2010, que é a candidatura da ministra Dilma. Pergunta - De que forma o senhor poderá ajudar nesse projeto nacional do PT? Maggi - Da forma que eles acharem melhor. Pergunta - Pode ser assumindo um ministério? Maggi - Posso estudar, mas veja bem: não confundam. Não existe esse convite.