Apresentado por Tadeu Schmidt, Fábio Porchat e Tamires, o "Central da Copa" estreou na última quinta-fira (11) dando uma certa saudade da turma do Casseta & Planeta.
Com pouco material para comentar no dia da abertura do Mundial –a breve cerimônia e o primeiro jogo, do México contra a África do Sul–, o programa convocou uma miríade de participações especiais para carregar no humor. É nessas horas que a falta de uma grande equipe criativa de comediantes, na qual a Globo não investe há anos, faz muita falta.
A abertura mandou bem, abordando de cara a pedra no sapato que incomoda os canais que gastaram milhões para a transmissão da Copa: o desânimo geral com o torneio e a triste constatação de que o torcedor que ainda tem esperança no hexa precisa de um bom tarja-preta para cair na real.
Mas foi uma participação-relâmpago de Susana Vieira, honrando o seu tão falado contrato vitalício com a casa, que mais lembrou os tempos em que as estrelas batiam ponto no "Casseta & Planeta Urgente!" toda terça à noite para pagar micos improváveis. A diva desbocada apareceu para chutar uma bola de saltinho e fazer um gol, e assim restaurar a empolgação geral da nação.
O problema é que parecia não haver um bom texto à altura das participações convocadas. Do elenco de "Quem Ama Cuida", a atual novela das nove, Alexandre Borges, Flávia Alessandra e Mariana Ximenes também apareceram por alguns segundos sem ter muito o que dizer, a não ser vibrar pela seleção canarinho.
A chuva de participações ainda teve o rapper L7nnon e o suprassumo dos árbitros, Arnaldo Cézar Coelho, posando de Don Corleone e abençoando seu mascote, o Coelho Arnaldo Cézar, que vai comentar questões de arbitragem como o Louro José às vezes dá seus pitacos no Mais Você. A ver se funciona bem.
Foram pouco mais de 20 minutos no ar –mas, quando o desafio é preencher parte desse tempo apostando no humor, esse tempo pode ser uma eternidade. Um clipe sobre a atuação do brasileiro Wilton Pereira Sampaio como árbitro no jogo de abertura da Copa foi engraçadinho, mas poderia render mais.
A autoparódia em que toda a programação da Globo mudou de nome e de perfil para se adaptar a Neymar pesou a mão, quando mesmo os maiores fãs do craque na Copa não têm noção se ele vai mesmo mostrar algum brilho desta vez.
Uma terceira, sobre o "bruxo" Ronaldinho Gaúcho e seus rolês nesses primeiros dias de Copa, não teve graça. Ah, e não faltou a entrada ao vivo de um bar em Nova York cheio de brasileiros batucando, dançando e batendo uma bolinha. Haja clichê.
Tadeu, Porchat e Tamires se vangloriaram do tamanho do estúdio à disposição deles, que inclui até um bar para convidados e a participação dos mascotes da Globo na Copa.
A vontade de mostrar o tamanho do estúdio foi tamanha que, em vários momentos, a câmera permanecia em plano aberto enquanto eles falavam, o que incomoda o espectador acostumado a acompanhar seus apresentadores de perto.
Mas logo o plano aberto revelou outro propósito, menos nobre: a inserção de marcas patrocinadoras nos grandes painéis digitais atrás do sofá dos apresentadores. Aos poucos, a Globo vai descobrindo novas maneiras de inserir seus anunciantes. Se funcionar bem no Central da Copa, não deve demorar para vermos esse "quiet merchandising" também nas cenas de novela.
Ao longo do Mundial, o Central da Copa, que estará no ar de segunda a sábado à noite em horários variados, a depender dos jogos do dia, deve ir calibrando suas doses de jornalismo, comentários esportivos e humor.
Se a seleção brasileira decepcionar, como muitos andam esperando, vai ser interessante ver o quanto Porchat e Tadeu terão coragem de "bater" nos nossos jogadores com suas piadas e comentários. Se conseguirem jogar do lado do público, e não da FIFA ou do Ancelotti, eles terão maiores chances de gerar os bem-vindos memes e entrar na roda de conversa do dia seguinte.




