Primeira Página
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010, 23h:22
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OPERAÇÃO JURUPARI II
Interceptações mostram pressão política
Escutas telefônicas, com autorização judicial, apontam interferência de deputados e assessores para aprovar projetos na Sema
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Interceptações telefônicas da Polícia Federal revelam a interferência e pressão de parlamentares na liberação de licenças ambientais e regularização de pendências administrativas junto à Secretaria de Meio Ambiente (Sema). Proprietário da fazenda Santa Rita, localizada dentro da área de Proteção Ambiental Chapada dos Guimarães, o deputado federal Eliene Lima (PP) conseguiu licença da Sema para exploração do eucalipto como forma de reflorestamento das pastagens inutilizadas. Curiosamente, a coordenadoria de Unidade e Conservação da Secretaria, que aprovou estudo de macrozoneamento da região, baixou portaria em dezembro de 2009 vetando o plantio de eucalipto. Diálogo interceptado no dia três de abril de 2009 mostra o deputado federal recorrendo ao ex-secretário-adjunto Afrânio César Migliari pedindo ajuda na tramitação da licença. No dia sete de abril do mesmo ano, Eliene volta a ligar para Afrânio pedindo ajuda. A Sema liberou a licença, assinada pelo ex-secretário Luís Henrique Daldegan, no dia 22 de abril menos de um mês depois da primeira ligação interceptada. O Diário já havia apontado o caso em matéria publicada em setembro do ano passado. Na época, a reportagem procurou o então secretário Daldegan para saber dos parâmetros que nortearam a liberação, contudo ele não se manifestou. Segundo o inquérito da Polícia Federal, o deputado estadual Mauro Savi (PR) também teria usado sua influência política, inclusive de líder do governo na Assembleia Legislativa, para regularizar pendências da fazenda Itaúba e conseguir aprovação de exploração florestal para a fazenda Mosquito I. Um assessor de seu gabinete, citado apenas como Dalton, chegou a ligar para o então governador Blairo Maggi (PR) pedindo atenção para resolver negócios na Sema. Conforme a interceptação, Blairo alerta que a autorização buscada seria algo que a legislação não permite. A influência de Savi também teria influenciado na liberação da licença ambiental para a fazenda Sodema. Mais uma vez, Afrânio César Migliari aparece como articulador das ilegalidades em contato direto com o assessor do gabinete de Savi, com proprietários das fazendas e servidores da Secretaria. A mesma influência política teria usado pessoas ligadas ao presidente da AL, deputado José Riva, e o assessor de gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB), Silvio Cesar Correa Araújo. Os deputados Eliene Lima e Mauro Savi foram procurados pela reportagem, mas não retornaram a ligação até o fechamento desta edição.