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Terça-feira, 30 de Junho de 2015, 21h:05

TERRA PROMETIDA

Incra dificulta investigação, diz MPF

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Mato Grosso estaria prejudicando as investigações de venda ilegal de lotes no Estado

RAFAEL COSTA
Da Reportagem
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para apurar indícios de improbidade administrativa cometida pela Superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Mato Grosso) por conta da omissão em responder ofícios e dificultar as investigações da Polícia Federal. O órgão público federal está no centro de investigações da Polícia Federal em função da Operação Terra Prometida. É apurada a existência de um esquema criminoso de venda ilegal de lotes de terra destinados à reforma agrária para grandes grupos empresariais e que também contemplaria políticos influentes de Mato Grosso. A PF sustenta que 80 fazendeiros e empresários participavam no esquema de reconcentração fundiária. Conforme as investigações, eles recompravam ou invadiam terras destinadas para a reforma agrária, não raro ameaçando os assentados, na região de Itanhangá, município que se desenvolveu a partir de assentos do governo federal. Os envolvidos escalavam laranjas para ocupar as áreas de cerca de 100 hectares avaliadas, em média, em R$ 1 milhão. Em seguida, corrompiam servidores públicos para regularizá-las. Terras destinadas à reforma agrária têm restrições e seguem normas diferentes em relação às outras propriedades rurais. A estimativa é que cerca de mil lotes possam ter sido negociados de forma criminosa pelo grupo, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Um desses lotes, segundo o delegado, foi por muito tempo ocupado pela multinacional do setor de alimentos Bunge, que então o vendeu ao grupo Fiagril, um dos alvos da Operação Terra Prometida (nome alusivo à passagem bíblica em que Deus promete terras ao povo). Entre os principais sócios da Fiagril está o empresário e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (PSDB). A superintendência do Incra é ocupada provisoriamente por Salvador Soltério de Almeida. Anteriormente, o cargo estava sendo ocupado pelo petista Valdir Mendes Barranco, candidato a deputado estadual nas eleições de 2014. Com o registro de candidatura inicialmente indeferido pela Lei da Ficha Limpa, Barranco conseguiu reverter no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e aguarda julgamento da Justiça Eleitoral de Mato Grosso. Se o registro de candidatura for deferido, assume a vaga em substituição ao deputado estadual Pery Taborelli (PV). O petista Valdir Barranco obteve 19.227 votos enquanto Taborelli recebeu 18.523. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já concluiu que Barranco está elegível, porém, o pedido de registro de candidatura depende de julgamento do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Mato Grosso. Um dos motivos que levou inicialmente o indeferimento do registro de candidatura foi uma reprovação de contas dada pela Câmara Municipal de Nova Bandeirantes, município do qual administrou de 2006 a 2010.

Edição EDIÇÃO 16964




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