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Terça-feira, 14 de Maio de 2013, 20h:23
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146 ANOS
Há 50 anos Várzea Grande é trampolim
Cientista político diz falta de lideranças naturais no município atrai aventureiros que só buscam votos e estão desligados da realidade local
LORENA BRUSCHI
Da Reportagem
Aos 146 anos, completados hoje, Várzea Grande não tem uma gestão eficaz há pelo menos cinco décadas, período no qual foi usada como trampolim político. A avaliação é do cientista político João Edisom de Souza, sobre o histórico da segunda maior cidade do Estado. Os Campos utilizaram a cidade para benefício próprio. Durante os anos em que estiveram à frente da cidade, o foco não foi o desenvolvimento nem melhorias para a população, pontua. Ele se refere às gestões de Júlio Domingos de Campos, ex-prefeito de Várzea Grande durante a década de 1950, e de seus filhos, o senador Jayme Campos e o deputado federal Júlio Campos, que também foram prefeitos da cidade. A ausência de lideranças políticas em Várzea Grande, segundo o analista, motivou a migração de pessoas com o objetivo único de se candidatar. Políticos de Cuiabá, do norte do Estado, vão para lá buscar votos. Falta alguém que pense a cidade e que tome as rédeas da administração para beneficiar a população. Júlio Campos rebate a crítica. Tanto não é trampolim, que temos ainda muita influência. Pelo menos 80% da infraestrutura de Várzea Grande foi obra da minha gestão e de Jayme, afirma. O senador, por sua vez, reconhece em partes as afirmações de João Edisom e afirma que até mesmo quem não morava na cidade conseguiu se tornar prefeito. É o caso do Tião da Zaeli. Foi prefeito apenas porque tinha dinheiro, critica. Para Júlio, o problema está na população que, segundo ele, nos últimos 10 anos perdeu a noção. Estão elegendo candidatos desvinculados da realidade local. As últimas três eleições se transformaram numa indústria de dinheiro com, inclusive, um ciclo de compra de votos. Apesar disso, o deputado cita avanços. Avalia que três fatores aceleraram o crescimento do município: a construção da ponte Júlio Muller, em 1942; a instalação do aeroporto; e a industrialização. Como principais feitos da família, ele cita ainda a primeira estação de tratamento de água, a construção do pronto-socorro, a instalação da Comarca de Várzea Grande e a duplicação da Avenida da FEB. A cidade cresceu muito nos últimos 40 anos. Antes eram 100 mil habitantes e duas ruas, recorda. Júlio afirma que a política de isenção fiscal e doação de terrenos para construção de conjuntos habitacionais e bairros foram fundamentais para o desenvolvimento. Pontua ainda a colaboração dos ex-governadores José Fragelli e Garcia Neto para que Várzea Grande deixasse, em sua opinião, de ser a cidade dormitório. HISTÓRICO Jayme sustenta que a contribuição dos Campos vem desde a emancipação de Várzea Grande, em 1948. Naquele ano, segundo ele, seu pai participou da campanha pró-emancipação, junto com outras lideranças como Benedito Monteiro da Silva Sobrinho, conhecido como Tino o primeiro vereador de Várzea Grande, ainda antes da criação da Câmara Municipal. A partir daí, Júlio foi eleito o vereador mais votado. Em seguida, foi prefeito por duas vezes na década de 1950, deixando seus filhos, Júlio e Jayme Campos como seus sucessores.