O esquema criminoso contra o sistema financeiro do Estado, desarticulado pela Polícia Federal por meio da operação Ararath, também serviu para financiar campanhas políticas e subornar servidores públicos. A informação é do delegado Wilson Rodrigues de Souza, responsável pelas investigações que já se encontram em sua sexta etapa. O esquema é gerenciado por figurões da política junto a factorings clandestinas. A organização, ainda, é investigada pela prática de lavagem de dinheiro, mediante a movimentação de recursos originários de crimes contra a Administração Pública que transitaram por contas de pessoas jurídicas interpostas, inclusive para pagamento de empréstimos ilegais concedidos pelos operadores financeiros investigados, afirma o delegado em nota. A ligação de políticos com o empresário do ramo de factoring e de postos de combustíveis, Gércio Marcelino Mendonça Júnior, conhecido por Júnior Mendonça, alvo da primeira fase da operação Ararath, se estende também a empréstimos para campanhas políticas de grupos de fora do governo e para negociações espúrias. O apontamento foi feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão que determinou a prisão e mandados de busca e apreensão contra autoridades do Estado e membro do Ministério Público Estadual (MPE) na quinta fase da Operação. O enredo das investigações começa com o pivô da primeira fase da operação Ararath, Júnior Mendonça, empresário com trânsito entre políticos da situação e da oposição. Ele faz parte da delação premiada e foi o depoimento dele que está fazendo a PF desvendar a lavagem de dinheiro público. A quinta fase da operação Ararath, desencadeada em maio deste ano, refletiu diretamente na classe política de Mato Grosso. Nesta sexta etapa foram expedidos cinco mandados de busca e apreensão. O suplente de deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) é o principal alvo da Polícia Federal. O social democrata, inclusive, é candidato no pleito deste ano. Sua campanha deve ser diretamente atingida pela Operação, uma vez que estamos a uma semana da eleição.