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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010, 11h:28
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HISTÓRICO
Espólio político de Jonas sem herdeiro
Político de Mato Grosso com maior tempo de mandato no Congresso Nacional, Pinheiro faleceu há dois anos em Cuiabá, deixando um legado político
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
No dia 19 de fevereiro de 2008, há exatamente dois anos, Mato Grosso perdia um dos seus políticos mais ilustres. Natural de Santo Antônio de Leverger, Jonas Pinheiro da Silva conquistou seu espaço na história mato-grossense. Foi por duas vezes senador da República e eleito três vezes deputado federal. O espólio político deixado por Pinheiro, defensor inconteste da agricultura, passado este período da sua morte, não foi preenchido. De origem humilde, Jonas formou-se em medicina veterinária pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mas foi como político que defendia o homem do campo que ganhou notoriedade. Sempre foi um integrante da bancada ruralista no Congresso. Praticamente toda sua trajetória política foi voltada para o agronegócio, sendo cotado, inclusive, para ser ministro da Agricultura. A particularidade nessa história era que Jonas conseguia agradar aos dois lados da moeda: tinha apoio dos grandes produtores, bem como dos pequenos agricultores. Depois de dois anos da sua partida, o Estado ainda não conseguiu representante igual. Para o presidente estadual do Democratas e colega de partido, Oscar Ribeiro, o trabalho de Jonas Pinheiro, voltado para as questões agrárias, ainda não teve outro representante. É uma lacuna que nunca foi preenchida politicamente, disse Ribeiro. Eleito em 2002, com mandato até janeiro 2011, Jonas ainda deixou dois anos de exercício. Sua cadeira no Senado foi ocupada pelo primeiro suplente Gilberto Goellner, também do DEM. Diferente de seu sucessor, Goellner, que também é empresário do setor do agronegócio, não conseguiu grande destaque no cargo. Consciente da difícil missão que é se eleger senador, ele não vai participar do pleito este ano, que tem duas vagas e deve contar com nomes como o do governador Blairo Maggi (PR). Jonas costumava dizer que era o pai político de Blairo Maggi, já que em 1994 o hoje governador foi o primeiro suplente de Jonas no Senado. O levergerense elegeu-se deputado federal em 1982, 1986 e 1990. Em 94 conquistou cadeira de senador com 281.998 votos superando o outro eleito para o mesmo cargo, Carlos Bezerra (PMDB), que recebeu 281.885 votos. Em 2002 foi reeleito, com a maior votação do pleito para o Senado: 612.965 votos, enquanto Serys Slhessarenko (PT) recebeu 575.539. Ele ganhou destaque nacional enquanto integrante do Centrão, grupo conservador que se caracterizou pela intransigência na defesa do direito de propriedade. Ao longo de 27 anos de trajetória política, escândalo nenhum recaiu sobre seu nome. Até mesmo quando o parte da bancada federal se viu envolvida na chamada máfia das sanguessugas, esquema de compra superfaturada de ambulâncias e materiais hospitalares, Jonas se manteve incólume, resguardando o nome de Mato Grosso. Devido a seu grande prestígio, conseguiu alavancar a carreira política de sua mulher, Celcita Pinheiro, que em 1998 foi eleita deputada federal. Atualmente, a viúva de Jonas está deixando o comando da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá para se dedicar mais à família. Depois de uma parada cardíaca, o senador foi internado no hospital Amecor, em Cuiabá. Ficou mais de uma semana internado na UTI e no fim da tarde de uma terça-feira, dia 19 de fevereiro de 2008, aos 67 anos, faleceu em Cuiabá.