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Quarta-feira, 23 de Março de 2016, 20h:54
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PROPINA
Empresário diz que pagava Silval
Em depoimento a Polícia Civil, o empresário Willians Paulo Mischur, proprietário da empresa Consignum, que oferece empréstimo consignado aos servidores públicos estaduais, revelou que manteve reuniões diretamente com o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) para tratar do repasse mensal de propina que variava de R$ 500 mil a R$ 700 mil. O dinheiro era exigido pelo peemedebista para o Estado manter em vigência contratos com a empresa. O empresário revelou que venceu uma licitação para prestação do serviço em 2011, mas a SAD (Secretaria de Estado de Administração) anulou a concorrência. A partir deste impasse, o advogado Pedro Elias, sobrinho do prefeito de Várzea Grande Murilo Domingos (PR), que posteriormente viria a assumir como secretário de Estado, prometeu auxiliá-lo para pôr fim ao "problema" no pregão desde que ficasse responsável por receber a propina todos os meses. Assim, Pedro Elias o buscou em sua casa num dia à noite para a reunião no apartamento de Silval. "Pedro Elias entrou em contato com o declarante por volta das 22h00 dizendo para descer na recepção do seu próprio residencial. O declarante entrou no carro de Pedro Elias, que disse que iria levá-lo até a casa do governador Silval Barbosa para comprovar que ele era a pessoa de confiança para receber os valores", diz um dos trechos do depoimento. No depoimento à Polícia Civil, o empresário ainda deu detalhes de sua chegada ao apartamento do ex-governador Silval Barbosa. No diálogo mantido com o ex-governador, foi firmado o acordo de que a propina mensal deixaria de ser entregue ao ex-secretário de Administração, César Zílio, para ser destinada ao advogado Pedro Elias. "Silval teria dito ao declarante: O Pedro é o responsável para continuar com os recebimentos dos pagamentos, pois estava bravo com César, pois César não estava sendo leal com ele", confessou. Após receber a orientação de Silval, o empresário passou a entregar os valores ao ex-secretário Pedro Elias. O empresário chegou a ter a prisão preventiva decretada na segunda fase da operação Sodoma pelos negócios com o ex-secretário de Administração, César Zílio. Após ser preso guardando R$ 1 milhão em espécie na residência, o empresário decidiu colaborar com as investigações e foi colocado em liberdade. CORDEIRO - com a prisão preventiva decretada pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, o ex-secretário-adjunto de Administração, José Nunes Cordeiro, se entregou ontem à tarde na sede da Delegacia Fazendária. A suspeita é de participação em um esquema de cobrança de propina durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que obrigava a empresa Consignum a pagar uma quantia variável de R$ 500 mil a R$ 700 mil mensais para manter contratos com o governo do Estado. (RC)