Presidente do Partido da República, Moisés Sachetti admitiu ontem que a legenda sofre desgaste progressivo em decorrência do afastamento do governador Blairo Maggi (PR) do comando da sigla. A posição do chefe do Executivo estadual, de dar maior atenção à administração do Estado, gera uma crise interna no PR inclusive com ameaças de desfiliação em massa. Para tentar conter a onda de descontentamento no PR, Moisés Sachetti organiza encontro entre a Executiva regional e o chefe do Executivo estadual. A idéia consiste em tentar convencer Maggi sobre a necessidade de se reaproximar do PR, voltando dessa forma a delegar os encaminhamentos do partido. Moisés reconheceu que uma das situações mais críticas paira sobre o município de Guiratinga. Insatisfeitos com o processo de indicação do PR para ocupação de espaço em uma agência do Ciretran, filiados da legenda ameaçam deixar o partido. Informações apontam para a chance de aproximadamente 300 republicanos abandonarem a legenda na cidade. Moisés disse desconhecer o número de filiados do PR na cidade. Sachetti também admitiu que a insatisfação dos republicanos ocorre em outras cidades. Contudo, preferiu atenuar o clima de desconforto interno ao frisar que o PR está tomando providência para encontrar uma solução. A posição do governador de destinar atenção especial para as ações do Palácio Paiaguás tem gerado intempéries na direção do Partido da República. Alguns membros da Executiva regional entendem que Blairo em determinados momentos tem dado mais atenção para pleitos de outros partidos em detrimento de solicitações dos republicanos. Criado a partir da fusão dos extintos PL e Prona, o Partido da República surgiu no início de 2007 como uma das maiores apostas de Mato Grosso. A decisão de Maggi de deixar o PPS, após sua reeleição em 2006, provocou um movimento de desfiliação em massa da antiga legenda. Curiosamente, agora o chefe do Executivo estadual se depara com um quadro semelhante, só que contrário. No início deste ano, a direção estadual da legenda tentava o retorno de Maggi para o comando do PR de Mato Grosso. Apesar dos apelos, Blairo foi enfático ao ressaltar que não cogitava a possibilidade de retornar para a gerência política da agremiação. Diante dos novos fatos, a cúpula republicana arquiteta estratégia para tentar manter a coesão do partido no Estado.