Primeira Página
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009, 20h:44
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Deputado federal suspeito de integrar esquema
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Um dos oito deputados federais de Mato Grosso é suspeito de integrar o esquema de licitações fraudulentas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá e Várzea Grande desbaratado na Operação Pacenas, deflagrada esta semana pela Polícia Federal. O procurador federal Mário Lúcio Avelar confirma que um parlamentar federal é um dos alvos nas investigações. O deputado seria apontado em conversas telefônicas interceptadas pelo codinome candango. A expressão candango designava, historicamente, os trabalhadores que atuaram na construção de Brasília e das pessoas que nasceram na cidade. Já na Operação Pacenas, escutas telefônicas evidenciam candango (ou kandango, conforme cada transcrição) como uma das peças-chaves nas articulações do esquema de licitações de cartas-marcadas. O codinome aparece ao menos em quatro diferentes conversas telefônicas mantidas entre os irmãos Carlos Avalone, suplente de deputado e ex-secretário de Estado, e Marcelo Avalone, donos da construtora Três Irmãos. Os diálogos transcorrem em março de 2008 (veja o quadro) e estão transcritos, entre várias conversas grampeadas com autorização judicial, em decisões expedidas pelo juiz da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva. Numa das falas é evidenciado supostos acertos financeiros. No dia 15 de março de 2008, Carlos Avalone liga para o irmão, Marcelo, e comunica que havia acabado de sair de uma reunião com candango e que, para resolver a questão, não foi de graça. Marcelo então pergunta ao final da ligação: O candango é muito caro? Ou não.... Avalone responde: É. Ficou 50% a mais do que daquele outro que deixou de fazer da falência lá... Em outro contato telefônico, Marcelo posiciona ao irmão a preocupação diante do aparente sumiço do articulador em Brasília. O nome de outro empreiteiro, Jorge Pires, dono da construtora Concremax, também é mencionado na conversa. Carlinhos, o Jorge está comigo. Estamos preocupados com o candango. Não apareceu. O telefone dele não atende, alerta Marcelo. Em entrevista a um programa de televisão local na manhã de ontem, o procurador federal Mário Lúcio Avelar confirmou que um parlamentar, federal, está na mira das investigações. Ele declarou que há indícios de participação do deputado nas negociações espúrias de obras do PAC. Ele, contudo, não revelou o nome. Integram a bancada de deputados mato-grossenses na Câmara Federal Pedro Henry (PP), Carlos Bezerra (PMDB), Eliene Lima (PP), Carlos Abicalil (PT), Valtenir Pereira (PSB), Thelma de Oliveira (PSDB), Homero Pereira (PR) e Wellington Fagundes (PR). Durante a entrevista, ao vivo, Avelar ainda destacou que sempre tem alguém de Brasília envolvido em escândalos desse porte, envolvendo milhões em recursos públicos. O procurador ainda descreveu o esquema desbaratado na Operação Pacenas como um sindicato do crime, comandado por pessoas que têm ganância, de dinheiro por dinheiro. Mas dessa vez a casa caiu, alertou o procurador. A Polícia está investigando quem é essa pessoa que consta nas ligações citado como candango. Ele receberia 7% de cada liberação, falou o procurador Mário Lúcio Avelar. As informações não foram remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo nome do suspeito ainda não ter sido confirmado.