A primeira audiência de instrução e julgamento do processo que envolve integrantes de uma quadrilha acusada de venda de decisão judicial em favor de traficantes de drogas teve início nesta sexta-feira (29) no Fórum de Cuiabá. O processo é reflexo da Operação Assepsia, deflagrada em abril de 2013 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ela estava agendada para começar na quarta (27), mas a juíza da Vara Especializada Contra o Crime Organizado, de Ordem Tributária e Administração Pública de Cuiabá, Selma Rosane Santos adiou a data para colher maiores informações. Entre os réus está o ex-presidente da Câmara de Cuiabá, João Emanuel Moreira Lima (PSD). A defesa do ex-vereador, entretanto, nega o envolvimento de seu cliente no crime. No total, a ação contra a suposta venda de sentenças tem 16 réus. Por conta deste volume, as audiências foram divididas em quatro datas, conforme despacho da magistrada. As próximas estão pré-agendadas para os dias 3 e 5 de setembro. Todas as audiências serão conduzidas pela magistrada Selma Rosane Santos. A previsão é que 34 testemunhas sejam ouvidas, sendo cinco arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e as outras pela defesa dos réus. Dois desembargadores e um juiz também integram a lista. A Operação Assepia foi deflagrada em Mato Grosso e outros 11 estados em conjunto com uma ação nacional contra a corrupção comandada pelo Ministério Público em parceria com diversos órgãos, e que cumpriu mandados de prisão, de busca e apreensão, de bloqueio de bens e de afastamento das funções públicas dos suspeitos. O Gaeco acredita que o grupo tenha desviado mais de R$ 1 bilhão em verbas públicas. Conforme investigações do Gaeco, os acusados tentaram comprar decisões judiciais para que fosse colocada em liberdade uma família presa em 2011 por suspeita de tráfico de drogas. Para tanto, o grupo teria tentado subornar um assessor jurídico da Vara Especializada contra o Crime Organizado de Cuiabá por meio de um advogado e um estagiário. Na denúncia, o Gaeco sustenta que João Emanuel era quem comandava as ações do estagiário, já denunciado pelo Ministério Público em abril de 2013, por tentar cooptar o assessor da Vara do Crime Organizado para que redigisse a minuta de decisão favorável à soltura dos traficantes. Ainda conforme o MPE, a participação do ex-vereador teria ocorrido quando ele era candidato e foi comprovada por meio de interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal.