Prefeitos de municípios do norte do Araguaia assinaram uma moção de repúdio à decisão judicial que concedeu liberdade aos sete acusados de participarem do assassinato do prefeito de Novo Santo Antonio, Valdemir Antônio da Silva (PMDB), o Quatro Olho. O documento será encaminhado à Secretaria de Estado de Segurança Pública e ao Ministério Público Estadual. O crime ocorreu em julho do ano passado. Quatro Olho foi assassinado em casa com três tiros, ao retornar de um distrito do município de Ribeirão Cascalheira, onde havia participado de uma festa local em homenagem ao padroeiro Santo Antônio. Um dos filhos do prefeito viu o assassinato. Entre os acusados pelo crime estão o ex-procurador do município, advogado Acácio Alves, e o ex-secretário de Agricultura de Novo Santo Antônio na gestão de Quatro Olho, Valquir Ferreira Silva. Apontado pela polícia como um dos mentores intelectuais do assassinato, Acácio Alves foi demitido da função pelo prefeito no final de 2010 por estar articulando o afastamento dele. As investigações também apontaram que o advogado teria contratado duas pessoas - Luciano Cavalcante Nascimento Vieira, o Batata, e Alexandre Silveira Barbosa, o Magrão - e pago R$ 3 mil a cada um para assassinar o prefeito. O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Araguaia (AMNA) e prefeito de Querência, Fernando Gorgen (PSD), disse que a sociedade está revoltada com a impunidade, que, segundo ele, acaba incentivando a prática de crimes. Afirmou ainda que os prefeitos da região estão amedrontados com a situação e temem pelas suas vidas. Os gestores do interior não têm qualquer tipo de segurança. O que aconteceu com ele pode acontecer com qualquer um de nós e os caras simplesmente ficam soltos? Não é justo. A sociedade merece uma resposta. Os culpados têm que ser punidos, declarou. Segundo Gorgen, o clima de insegurança tem prejudicado até mesmo as articulações para as eleições municipais deste ano. Alguns políticos que estão bem nas pesquisas já estão com medo de ser mortos antes mesmo de iniciar a campanha. Eles dizem que nem querem ser candidatos porque têm medo, relatou.