O ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Lutero Ponce (PMDB), disse ontem que é uma injustiça a decisão de cassar o mandato do vereador Ralf Leite (PRTB) por quebra de decoro parlamentar. O peemedebista criticou os trabalhos da Comissão de Ética, composta por Everton Pop (PP), Domingos Sávio (PMDB) e Adevair Cabral (PDT), que emitiram parecer favorável à cassação. Havia alternativas de punição como perda temporária do mandato ou uma advertência por escrito. Não tinha necessidade de chegar ao extremo, reclama. Na visão de Lutero, não houve quebra de decoro de Ralf Leite. O vereador de primeiro mandato foi preso em flagrante no dia 6 de fevereiro em companhia de uma travesti menor de idade em plena via pública. Pesa neste episódio a acusação de usar o cargo de vereador para intimidar e até mesmo tentar subornar policiais militares para evitar a prisão. Entendo que a opção sexual de cada indivíduo não fere o decoro parlamentar, disse. Lutero Ponce acredita que a Comissão de Ética não levou em consideração apenas o episódio do escândalo sexual para optar pela perda do mandato de Ralf Leite. Na reta final dos trabalhos de investigação houve agressão física a uma namorada, o que interferiu na decisão da Comissão de Ética. A investigação se baseava apenas em um episódio e assim deveria ser finalizada. Houve uma confusão na análise dos assuntos, o que prejudicou a situação do Ralf. Ponce negou que seu voto contrário à cassação do mandato de Ralf Leite tenha sido resultado de uma articulação de bastidores para receber o apoio de Leite e barrar a instauração da comissão processante que apura desvio de R$ 7,5 milhões dos cofres da Câmara Municipal. O esquema teria ocorrido no biênio 2007/2008, período em que respondeu pela presidência do Legislativo. Isso não tem nada a ver. Estivemos em lados opostos na eleição da Mesa Diretora e o Ralf Leite não é meu amigo pessoal.