Aprovado em segunda votação, o Zoneamento Socioeconômico-Ecológico (ZSEE) segue para a sanção do governador reeleito Silval Barbosa (PMDB)
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
A Assembleia Legislativa aprovou ontem, em segunda votação, o Zoneamento Socioeconômico Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso. O projeto passa para a fase de redação final e seguirá para sanção do governador Silval Barbosa (PMDB). Dos 18 deputados presentes na votação, apenas Ságuas Moraes (PT) votou contra a aprovação do projeto. O zoneamento ainda levanta polêmica por ter sofrido alteração no seu texto. Ságuas acredita que o Ministério Público Estado e Federal irá intervir na tramitação do projeto para que não seja sancionado pelo governador. O suplente de deputado Alexandre Cesar (PT) que participou da elaboração das discussões no período de licença de Ságuas também fez duras críticas. A Assembleia Legislativa acabou de jogar fora 30 milhões de dólares, disse o petista, comentando sobre o valor pago para a realização dos estudos técnicos. Ele lembra que o tema vem sendo debatido desde o governo de Dante de Oliveira (PSDB). Antes de entrar em vigor, o projeto deverá passar pela Comissão Coordenadora do Zoneamento e Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e receber o decreto presidencial. Ele incorpora as diretrizes do projeto original feito pelo governo e também as sugestões dadas durante as audiências públicas e seminários técnicos, realizados com a participação de mais de 48 mil pessoas em cidades-polos do Estado. O ZSEE prevê uma política de desenvolvimento sustentável para Mato Grosso considerando os meios físicos, bióticos e socioeconômicos. A primeira votação do ZSEE ocorreu no último dia de mandato do governador Blairo Maggi (PR), que pretendia sancionar o projeto como um dos últimos atos de sua gestão. O Plano busca racionalizar a ocupação de espaços territoriais e redirecionar metas e diretrizes para exploração de áreas ambientais. Há ainda levantamentos para elaboração e execução de planos regionais na busca do desenvolvimento sustentável nas 12 regiões de planejamento existentes em Mato Grosso. Para Ságuas, a proposta aprovada poderá prejudicar áreas de proteção ambiental que receberão aval para exploração. Uma comissão foi montada para acompanhar os estudos técnicos e audiências públicas promovidas. Fazem parte da Comissão Especial do Zoneamento os deputados, Dilceu DalBosco (DEM), na presidência; Percival Muniz (PPS), na vice-presidência; Airton Português (PP); e Adalto de Freitas (PMDB) como membros, e Ságuas Moraes. Dal´Bosco defendeu o projeto afirmando que foi uma das ações da Casa de Leis de maior participação popular. O substitutivo apresentado pelo democrata e lideranças políticas gerou polêmica desde sua apresentação, fazendo com que o Ministério Público Estadual, Federal e ambientalistas se mobilizassem para tentar impedir sua aprovação. Eles alegam que a nova proposta exclui 14 das 70 terras indígenas identificadas no projeto inicial, reduz as Unidades de Conservação (UC), avançando sobre áreas de floresta e áreas de necessidade de proteção aos recursos hídricos. O Ministério Público não se pronunciou se tentará intervir na tramitação do projeto no Executivo.