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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017, 20h:19

ARAPONGAGEM

Adjunto assume comando da Segurança

A decisão de Perri causou polêmica. Enquanto algumas instituições aprovam o posicionamento do desembargador, outras a classificam como excessivas

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
Com o afastamento do delegado Rogers Jarbas do cargo de secretário de Segurança Pública do Estado, a pasta passa a ser comandada interinamente pelo adjunto de Inteligência Segurança, Gustavo Garcia. O anúncio da nomeação foi feito na manhã desta quinta-feira (21). A medida foi necessária devido a decisão do desembargador Orlando Perri, que determinou o afastamento de Jarbas do cargo por suspeita de que o mesmo estaria agindo de modo a obstruir as investigações a cerca do suposto esquema de grampos ilegais instalado na Polícia Militar de Mato Grosso. Além do afastamento, Jarbas está impedido de manter contato com os investigados no inquérito, e também não pode frequentar as repartições públicas estaduais. Ele ainda está sendo monitorado por meio tornozeleira eletrônica. A decisão de Perri causou muito polêmicas. Enquanto algumas instituições aprovam o posicionamento do desembargador, outras a classificam como excessivas. O primeiro a se posicionar sobre o fato foi o governador Pedro Taques (PSDB), que classificou a decisão como “arbitrária e teratológica”, e ainda prometeu representar contra Perri no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Por meio de nota, entretanto, a Associação Mato-grossense dos Magistrados (Amam) saiu em defesa do desembargador e teceu duras críticas ao comportamento do governador. Para a entidade, o chefe do Executivo Estadual se baseou em "vozes, rodas de conversas, convescotes e festas" ao fazer suas declarações sobre o caso. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional Mato Grosso, também defendeu Perri. A entidade classificou o posicionamento de Taques como “lamentável”, uma vez que ele “proferiu ofensas de natureza pessoal em face do decano do Tribunal de Justiça”. Vale lembrar, contudo, que o Ministério Público Estadual (MPE) emitiu pareceu contrário ao pedido da delegada Ana Cristina Feldner, autora do pedido de afastamento. A decisão de Perri ainda dividiu a classe dos delegados do Estado. O delegado Flávio Stringuetta, por exemplo, utilizou uma rede social para desabafar. Ele foi responsável por cumprir a decisão de busca e apreensão no prédio da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) na tarde da última quarta-feira (20). Na ocasião, ele foi vaiado por diversos colegas de profissão que participavam de um curso de delegados na Sesp. Cerca de 40 delegados, inclusive, acompanharam Rogers até o Tribunal de Justiça, em apoio ao secretario. Para Stringuetta, os profissionais agiram por “paixão”. “Meus colegas delegados que se opuseram às ações de ontem, o fizeram motivados por paixões, não pela razão. Alguns se portaram como ‘piqueteiros’, o que é o inverso do que se espera de membros de uma carreira que se pretende ser reconhecida como Jurídica”, disse.

Edição EDIÇÃO 16968




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