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POLÍTICA
Segunda-feira, 24 de Abril de 2023, 12h:03

ANÁLISE POLÍTICA

Vídeos impedem uma realidade alternativa sobre 8 de janeiro

As câmeras potencializam os constrangimentos. Mas não fornecem material aos que desejam reescrever a história

JOSIAS DE SOUZA
Da Folha de S. Paulo
Reprodução
Extremistas bolsonaristas invadem o prédio do STF, na Esplanada dos Ministérios

Graças às câmeras dos circuitos internos dos prédios de Brasília, a velha máxima segundo a qual nas guerras a primeira vítima é sempre a verdade perdeu o prazo de validade no 8 de janeiro.

Quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas pela turba bolsonarista, as lentes dos sistemas de vigilância presentearam a história com registros definitivos.

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Neles, a verdade tem uma aparência muito mais incrível do que a ficção.

A divulgação tardia dos vídeos do Planalto reforça a percepção de que é impossível inventar qualquer realidade alternativa em relação ao maior ataque à democracia brasileira desde a redemocratização.

Veja vídeo:

No caso do Planalto, as câmeras flagraram duas verdades indesmentíveis.

A primeira é que o Governo Lula, instalado havia uma semana, sofreu uma tentativa de golpe insuflada por Bolsonaro.

A segunda é que o aparato de segurança da Presidência oscilou entre a incompetência do general Gonçalves Dias, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e a cumplicidade de militares com os invasores.

Militares que GDias, como é chamado o general amigo de Lula, herdou do antecessor Augusto Heleno e não teve a perspicácia de substituir.

As outras cenas ajudam a compor o quadro: a porta do Planalto aberta para os invasores, o general aparvalhado em meio aos criminosos, o subordinado servindo água aos golpistas, um patriota bolsonarista tentando arrombar um caixa eletrônico, Lula vistoriando os destroços, Flávio Dino expondo com gestos bruscos suas divergências civis com o gestor de fardas José Múcio...

As câmeras potencializam os constrangimentos. Mas não fornecem material aos que desejam reescrever a história.

Bolsonaro e sua milícia legislativa enxergaram no esconde-esconde a que a gestão Lula submeteu os vídeos do Planalto uma oportunidade para construir uma ficção menos constrangedora.

O Planalto poupa o seu general de críticas e unifica posições em torno das versões mais convenientes.

A CPI a ser instalada no Congresso será transformada numa guerra de desinformação.

Nesse ambiente, as câmeras dos circuitos internos de Brasília ensinam que o melhor a fazer é desconfiar.

A verdade escancarada pela visão isenta das câmeras de vigilância funciona como vacina contra as fantasias.


Edição EDIÇÃO 16965




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