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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

POLÍTICA
Domingo, 20 de Julho de 2025, 08h:40

CAUTELA E BLINDAGEM

Tarcísio reúne PIB do agro, defende acordo e não cita Bolsonaro

Tarcísio de Freitas pediu, em encontro em Cuiabá, que não se tratasse de eleição 2026, mas da crise com os EUA

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Reprodução/Instagram
Tarcísio se encontra com Pivetta, em reunião política, em Cuiabá, mas não cita, publicamente, seu apoio ao aliado, na disputa eleitoral em MT

Extremamente cauteloso e "blindado" para não causar rumores políticos acima do normal,  o governador de Sao Paulo, Tarcísio de Freitas (Republianos), aportou em Cuiabá no começo da tardede sábado (19),  Aeroporto Bom Futuro, para um encontro com parte do PIB do agronegócio e líderes políticos, na expectativa de discutir acordos visando as eleições de 2026 em Matoi Grosso.

A presença do governador paulista  cotado para disputar a Presidência da República pela direita, por sinal, irritou bolsonarista do PL, tão logo a visita foi anunciada, na semana passada. E causou preocupação, ainda mais agora, quandoo os mais próximos queriam sua presença e imagem grudada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, desde sexta-feira (19), teve contra si medidas restritivas impostas por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF),

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Recepcionado na denominada "Casa do Agronegócio", na região do Florais, zona rural de Cuiabá -, entre líderes das gigantes Bom Futuro e Amaggi, dos megaempresários e primos Erai Maggi e Blairo Maggi, do PP, Tarcísio se reuniu com o PIB do Agronegócio, com os maiores do setor em Mato Grosso.

Solicito com o afago dos megaprodutores, que se mostram insatisfeitos em participar dos processos eleitorais como candidatos e eleitos, os conhecidos "barões do agronegócio", o governador paulista encantou os presentes e posou como candidato natural da direita bolsonarista.

Obviamente, no encontro, não se levou em conta o que a participação dos "barões" nas disputas eleitorais provoca nos próprios negócios. Cmo a super-depreciação e a politização, quando envolvem assuntos delicados, como desmatamento de áreas essenciais - Amazônia, Pantanal e Cerrado -; desregulação climática; trabalho escravo; desemprego; êxodo rural (devido à mecanização); doenças advindas de alimentos contaminados por defensivos; conflitos agrários por posse de terras etc.

Tarcísio de Freitas se mostrou um hábil político, mesmo estando em seu primeiro mandato eletivo, ao não tocar no nome do padrinho político Bolsonaro. Até pela beligerância que sua presença gerou no Partido Liberal em Mato Grosso, já que ele é filiado ao Republicanos, o mesmo partido do vice-governador Otaviano Pivetta, pré-candidato à eucessão do governador  Mauro Mendes (UB).

Só que o chefe do Executivo de São Paulo demonstra certa dependência do PL, que em Mato Grosso tem candidato próprio e definido, com poucas ou quase nenhuma chance: de o senador Wellington Fagundes recuar, já que, aos 68 anos, completados em 10 de junho último, vê a idade e alguns problemas de saúde, mantidos àa distância da imprensa e da população, como sua última possibilidade de concorrer ao cargo máximo da política eleitoral no Estado.

Wellington, aliás, completará a metade do seu segundo mandato de senador em 2026. Portanto, se perder novamente, como perdeu em 2018, quando disputou contra Mauro Mendes e o então governador e candidato a reeleição que também foi derrotado, Pedro Taques, ainda terá quatro anos de mandato pela frente.

Como as conveniências políticas falam mais alto quando o assunto é disputa, em 2018, Mauro Mendes (DEM) e Wellington Fagundes (PR) estavam em lados opostos. Em 2022, Mauro foi candidato à reeleição, tendo como companheiro de chapa Wellington, também candidato à reeleição. Ambos se aproveitaram de suas condições para se favorecerem: o governador buscava a reeleição e o senador, que só entrou nas últimas disputas no meio do mandato, para ter uma válvula de escape caso fosse derrotado, o que realmente aconteceu.

Tarcísio de Freitas, na verdade, tinha uma agenda meramente social: o casamento da filha do ex-senador Cidinho Santos (PP), com quem tem profunda amizade e o considera um "conselheiro de primeira ordem", de tal maneira que já o convidou para ocupar cargo de relevância no Governo de São Paulo.

Mas, a visita gerou conflitos com o PL, com Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, preisdente nacional do partido, acionados pela claque de Wellington Fagundes, que tenta se viabilizar como candidato não apenas da extrema-direita, mas também de centro. Até alguns dias atrás, Bolsonarimo não demonstrava muita afeição por ele ,e sim pelo vice-governador Otaviano Pivetta, como declarado de forma desnecessária pelo prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), que encarna como ninguém o bolsonarismo.

O melhor do almoço no Grupo Bom Futuro é que estavam presentes os mesmos elementos que, no último dia 8 de julho, em uma conversa de amigos que virou roda política -, quando até fizeram questão de dar entrevista à imprensa -, alardearam que tinham decidido ser fundamental a Mato Grosso e sua gente que houvesse continuidade do Governo Mauro Mendes (UB). E que, claro, essa continuidade seria com Otaviano Pivetta, como declarou o ex-ministro, ex-senador e ex-governador - mas sempre megaempresário - Blairo Maggi.

Nessa mesma entrevista do dia 8 de julho, ainda falaram o anfitrião da festa deste fim de semana, Cidinho Santos, e o próprio Otaviano Pivetta, sendo que todos falaram em nome do governador Mauro Mendes, que só viria a tratar do assunto dois dias depois, ao lado do prefeito Abílio Brunini e do próprio vice-governador, para reafirmar seu apoio à pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos).

Mauro, como tem sido praxe, disse que não havia discutido o assunto com seu partido, o União Brasi,l em uma demonstração de que, se o partido não acatasse sua intenção, poderia até deixar a sigla. Como, aliás, tentou sem sucesso, ao buscar se filiar ou levar o vice para o PL, em dois eventos públicos, de defesa da anistia para golpistas de 8 de janeiro de 2023,  do qual participou o ex-presidente Jair Bolsonaro, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.

Mauro Mendes ainda evitou, na última segunda-feira (14), uma reunião da Executiva do União Brasil, agendada pelo secretário-geral, deputado Dilmar Dal'Bosco, que é líder do Governo e demonstrou sua contrariedade, assim como de outros membros da cúpula, pelo encontro que teria definido pelo nome de Otaviano Pivetta, sem ouvir os demais filiados da agremiação, que é a maior de Mato Grosso.

A reunião para "aparar as arestas"  se transformou em reunião de cúpula, a noite, no Palácio Paiaguás, com as principais lideranças do partido, principalmente o senador Jayme Campos, que conclui seu mandato em 10 de fevereiro de 2027 e, portanto, deve disputar as eleições de 2026 - ou a reeleição ou o Governo do Estado.

Nessa reunião, por sinal, Jayme Campos foi "liberado" para buscar construir sua candidatura à reeleição ou ao Palácio Paiaguás Governo do Estado, e que o governador acataria a decisão da sigla. Embora, pessoalmente, ele reafirmou seu apoio a Otaviano Pivetta. E não decidir, mais uma vez, se deixará  o cargo, em março de 2026, desincompatibilizando-se para uma eventual disputa por uma das duas vagas de senador ou uma das oito vagas para a Câmara Federal. Ou se permanece até o final de seu mandato.. 

O prefeito Abílio Brunini e o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), que é considerado uma incógnita no processo eleitoral, também estiveram no encontro do dia 8 de julho, assim como Neri Geller, Adilton Sachetti, do PP,  foram pegar "carona" com o governador de São Paulo, que se tornou muito mais presidenciável na última sexta-feira, quando o STF fez nova operação contra Jair Bolsonaro, que foi "premiado" com uma tornozeleira eletrônica, para monitorar seus passos e evitar o que se demonstrava latente - sua possível fuga do país, já que se considera um condenado.

Por causa de todo este cenário político-eleitoral, que ganhou requintes judiciais, é que Tarcísio de Freitas cancelou diversas agendas marcadas na sexta-feira, no sábado e no doming,o em Mato Grosso, evitando maiores transtornos e confusões. Afinal, em um casamento regado a muita bebida e muita música, o que for politicamente conversado vai ficar apenas no evento.

Certo ainda é que TarcÍsio de Freitas teve que conter alguns empresários afoitos, que desejavam sair do encontro com uma disposição dele em disputar as eleições presidenciais de 2026, já que, pelo visto, o PL ficou de mãos abanando como os últimos acontecimentos, com a família Bolsonaro, que apagou a luz e ímpeto de confronto dos boilsonaristas de plantão.

Em tempo: o vaidoso governador Mauro Mendes, que foi tratado por Tarcísio de Freitas como "um exemplo gestão" a ser seguido por outros executivo estaduais. não se fez de rogado e publicou, nas redes sociais, os elogios à sua gestão.

 


Edição EDIÇÃO 16966




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