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Cuiabá MT, Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

POLÍTICA
Quinta-feira, 04 de Junho de 2026, 12h:12

'VASSALAGEM'

Eduardo Bolsonaro sugere troca do Pix por sistema americano

Filho 03 de Bolsonaro é alvo de críticas nas redes. Brasil diz que forma de pagamento não é "produto comercial"

O GLOBO
Reprodução
Deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que sugere que o Brasil se renda às exigências dos UEA sobre o Pix

Uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) viralizou na rede social X e levou o nome do parlamentar aos assuntos mais comentados na manhã desta quinta-feira (4).

No vídeo, o filho 03 do ex-presidente sugere mecanismos financeiros dos Estados Unidos "semelhantes ao Pix" que podem servir para "ir pra uma mesa de negociação com bons argumentos” com os americanos.

A declaração tem sido reproduzida em outros perfis e alvo de críticas.

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Os Estados Unidos, onde atualmente reside o parlamentar, recomendaram um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o território americano.

No documento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Pix aparece entre os principais pontos questionados.

O texto diz que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos ao atuar simultaneamente como regulador e proprietário da plataforma, impor seu uso e limitar taxas cobradas por concorrentes americanos.

No vídeo, Eduardo propõe uma negociação com o governo americano:

— Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos — disse Eduardo.

Nas redes, perfis têm usado o trecho para criticar o deputado: "Prestar vassalagem trocando o Pix pelo Zelle? kkk", postou o perfil Allan dos Panos. O termo "vassalagem" também está entre os comentados na manhã de hoje.

Desde a decisão do Governo americano, a reação governista e do próprio presidente Lula têm sido de defender o Pix, amplamente citado no documento, e associar a taxação ao encontro do presidente Donald Trump com Flávio e Eduardo Bolsonaro, ocorrido na semana passada. 

Ainda na terça-feira, parlamentares começaram a postar termos como "Tariflávio" e "o Pix é nosso", além da frase "Bolsonaros inimigos do Brasil". Já Lula, em evento em Goiás, chamou Flávio de "imbecil".

– Ele foi pedir arrego. “Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula”. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio – afirmou, complementando: – Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da Pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores – disse.

Ex-ministra de Lula, a deputada Gleisi Hoffmann usou a declaração para criticar o clã Bolsonaro. 

Na terça-feira, logo após as primeiras notícias sobre o tarifaço, Flávio afirmou que pediu diretamente a Trump para que não impusesse tarifas sobre as empresas brasileiras.

Ele também enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas e passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar “de igual para igual” com os Estados Unidos.

"PIX NÃO É PRODUTO COMERCIAL"O sistema citado por Eduardo no vídeo é operado por uma rede de bancos americanos, diferentemente do Pix, administrado pelo Banco Central.

Diferentemente do sistema brasileira, a transferência não é 100% gratuita.

A Febraban, que representa os maiores bancos nacionais, saiu em defesa do Pix em reação ao USTR, lembrando que o sistema não é um produto comercial, mas um meio de pagamento que favorece a competição e permite a participação das instituições financeiras.

“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras”, diz uma nota divulgada pela entidade.


Edição EDIÇÃO 16956




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