POLÍCIA
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007, 19h:57
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TRIBUNAL DO JÚRI
Saúde precária de réu adia júri
O julgamento do comerciante Benedito Antônio de Souza, o Bene, de 39 anos, acusado de ser o mandante do assassinato do ex-segurança Marcione Paulo de Assunção, o Metralha, foi adiado. O crime envolveu a disputa de um cobiçado ponto de travestis na região do Porto, próximo à agência do banco Itaú, onde os profissionais do sexo são obrigados a pagar pelo ponto, caso contrário são retirados. Marcione estava tentando atravessar o negócio, que rendia um valor considerável anualmente, tentado extorquir os travestis, mas acabou executado com vários tiros. Benedito deveria sentar-se no banco dos réus do Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá, mas seu estado de saúde se agravou. Ele é soropositivo e cumpre prisão domiciliar num bairro de Cuiabá. Ele foi condenado a 14 anos de prisão pela execução do travesti Edson Amorim, a Gretchen, ocorrido em 1998, em Várzea Grande. Gretchen teria se desentendido com Benedito justamente por causa desses cobiçados pontos, já que dezenas de travestis eram obrigados a lhe pagar comissão. Na noite do crime, o travesti saiu para fazer ponto na região do Posto Zero e foi visto por colegas entrando num carro e conversando com o empresário. Marcione foi executado a tiros no dia 21 de maio de 1998, na avenida Tenente-coronel Duarte. O motorista do comerciante, André Nascimento Pinto, foi julgado como executor do crime, mas foi inocentado há seis anos pelo Tribunal do Júri. Testemunhas disseram ter visto Bene num carro dando a volta no quarteirão e ordenando que atirassem em Marcione, que havia saído recentemente de uma boate onde trabalhava como segurança. Havia poucos dias que ele estava tentando oferecer segurança aos travestis. Um ano após o crime, Benedito foi indiciado e teve a prisão preventiva decretada, mas acabou escapando da então Delegacia Distrital do Santa Helena, numa fuga até hoje não-explicada. No ano passado, ele foi capturado por policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) numa tapeçaria, no bairro do Coxipó. Ainda no ano passado, ele foi julgado pelo assassinato do travesti e cumpre prisão domiciliar porque seu estado se agravou devido à Aids. (AR)