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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 25 de Julho de 2015, 13h:54

Rivelino era visto como estorvo para Arcanjo

As investigações da Polícia Federal sustentaram que a participação no esquema de caça-níqueis foi o que levou à morte de Rivelino Brunini e, por consequência, de seu amigo Fauze Rachid Jaudy. O curioso é que as evidências começaram a ser levantadas antes do crime. No dia 12 de abril de 2002, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma casa no bairro Santa Rosa. A intenção era apreender máquinas caça-níqueis. Mas os policiais acharam muito mais. Entre os documentos e mídias apreendidos, havia uma carta endereçada a João Arcanjo Ribeiro mostrando a inconveniência de manter Rivelino Brunini no esquema de caça-níqueis. Os papéis e disquetes detalhavam a “Operação Mato Grosso”, um organizado esquema de instalação, divisão e exploração de 2,5 mil máquinas caça-níqueis em seis regiões. Pela concessão, semelhante àquelas que o Estado distribui para a exploração de serviços públicos, o esquema chegava a faturar quase R$ 1 milhão líquidos a cada mês, em dinheiro de 2002. Os concessionários dividiram o negócio dos caça-níqueis em seis áreas, chamadas de “base” – Cuiabá I (1000 máquinas), Cuiabá II (600), Rondonópolis (500), Cáceres (200) e bases autônomas (200). O planejamento da “Operação Mato Grosso” fazia constar que o responsável financeiro do esquema seria indicado “pelo senhor Arcanjo”, assim como o fiscal dos leituristas das máquinas. No dia 24 de setembro de 2001, Rivelino Brunini entraria formalmente no negócio, ao adquirir 50% da Mundial Games, uma das concessionárias da base Cuiabá I e responsável por 300 máquinas. Brunini logo se mostraria um estorvo aos olhos da organização. “Rivelino (Brunini) descumpriu ordem expressa, reiterada por três pessoas diferentes, em três diferentes ocasiões. Ocupou os melhores pontos de Cuiabá, área que não lhe pertencia, agiu em (sic) forma premeditada e com manifesta má fé, manifestando um espírito tumultuador que complicará nosso futuro”, dizia a carta. A tumultuada convivência entre os ex-comparsas atingiu o momento de maior fervura quando o sargento José Jesus de Freitas, segurança de Arcanjo, apropriou-se de todas as máquinas em poder de Brunini. No dia 27 de abril de 2002, o sargento seria vítima de uma emboscada em frente à sua casa, crime no qual ainda morreriam seus dois seguranças. A partir destes fatos, Brunini começou a ser procurado pela PF, até que teve a prisão decretada. Antes de ser ouvido, acabou assassinado.

Edição EDIÇÃO 16965




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