POLÍCIA
Sábado, 20 de Junho de 2009, 12h:59
A
A
HOMOFOBIA
Professor pode ser vítima de maníaco
Aos d+ gays foi recado encontrado no carro de Kleyton, localizado no Verdão, após ter sido roubado e asfixiado em sua casa, no Novo Terceiro
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Ao investigar o assassinato do mestre em química e professor da rede estadual de ensino do Estado, Kleyton Eduardo Pinheiro Antunes, de 28 anos, a polícia acredita estar diante de um maníaco homofóbico (pessoa que tem aversão mórbida e irracional contra os homossexuais). O carro do professor, roubado pelo criminoso, foi localizado no bairro Verdão com uma mensagem: aos d+ gays, escrita com o dedo na poeira do pára-brisa dianteiro do Fiat Uno vermelho. Segundo o chefe de operações da Delegacia do Complexo do Verdão, policial civil Jesse James Figueiredo, quem escreveu foi quem abandonou o veículo no local. Não temos dúvida. Assim que o veículo foi localizado, estivemos por lá e ninguém sabia quem era o proprietário. Integrantes da ONG Livre-Mente, que atua na defesa dos direitos dos homossexuais em Mato Grosso, já enviaram a informação para o GGB (Grupo Gay da Bahia), reconhecido nacionalmente pelo mesmo trabalho. A preocupação com a mensagem é grande. A polícia precisa apurar isso com urgência, disse um integrante. No entendimento de policiais que investigam o assassinato de Kleyton, a mensagem é clara e foi escrita com aquilo que o criminoso encontrou no momento. Ele aproveitou que o pára-brisa dianteiro estava sujo e, com o dedo, mesmo escreveu. Trata-se de uma mensagem de ódio e deixa no ar que poderá atacar outras pessoas, observou um policial. O Grupo Livre-Mente informou que há algum tempo tem distribuído uma cartilha com orientação às pessoas que têm o chamado comportamento de risco. Conforme a cartilha, entre as dicas, os homossexuais devem deixar recado com algum amigo ao receber alguma visita. O problema, explica a Livre-Mente, é entre os homossexuais não-declarados que acabam tendo os encontros secretos. Há menos de um mês, outro professor da rede estadual de ensino também foi vítima de latrocínio e assassinado em circunstâncias semelhantes. Benedito Juarez Silva, o Toti, de 50 anos, foi encontrado morto e com as mãos amarradas em sua cama. A polícia, no entanto, já identificou o autor. Trata-se do produtor de eventos André da Silva Rodrigues, de 22 anos, com quem o professor mantinha um relacionamento íntimo. Pelo fato de Kleyton ser forte fisicamente, a polícia não descarta a hipótese de haver mais de um participante no assassinato. Ele foi encontrado morto, na quarta-feira de manhã, em sua própria cama, na sua casa, no bairro Novo Terceiro. Ele estava com as mãos amarradas, para não poder se defender e foi asfixiado. A polícia encontrou um pano enrolado no pescoço dele.