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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

POLÍCIA
Terça-feira, 03 de Janeiro de 2006, 21h:00

TENTATIVA DE FUGA

Polícia reprime motim no presídio

O que inicialmente seria uma rebelião, acabou sendo considerado pela Polícia como apenas mais uma fuga frustrada no Presídio Pascoal Ramos

Após três horas de motim, cerca de 150 presos dos raios 3 e 4 da Penitenciária Regional de Pascoal Ramos encerraram a rebelião libertando um agente prisional feito refém. A rebelião começou por volta das 8 horas, depois de uma tentativa de fuga em que cinco presos da cela seis do raio 4 tentaram escapar. Houve tiroteio e os presos recuaram. Eles serraram uma barra da grade e correram até o muro onde conseguiram jogar algumas “maria-terezas” – cordas artesanais confeccionadas com pedaços de lençóis e camisetas. Policiais militares de serviço na guarita atiraram e os presos, que estariam armados, voltaram para as celas. Nesse momento, os presos do raio 3, que estavam em banho de sol, renderam um agente prisional que abria as celas. A partir daí, o refém ficou numa cela e os verdadeiros rebelados em outra. Por volta das 11 horas, sem necessitar atender a nenhuma exigência, o agente prisional foi libertado e os detentos retornaram para suas respectivas celas. Segundo o preso que se identificou como Marcelo Gargo, ele exigia a própria transferência para o presídio Urso Branco, localizado em Porto Velho (RO). Através de um telefone celular, ele falou com a reportagem do Diário. Confirmou que tentou a fuga, mas negou que estivessem armados embora, após uma revista no raio 4, agentes prisionais tenham apreendido alguns cartuchos calibre 38. “Não sabemos de arma alguma. Só sei que na hora em que a gente tentou fugir, houve um tiroteio e nós recuamos”, informou. O detento não explicou se o tiroteio a que se referia foram os tiros disparados pelos PMs ou a troca de tiros entre presos e policiais. Os policiais fizeram uma rigorosa revista nas duas alas, mas nenhuma arma nem tampouco o celular usado pelo preso foram encontrados. Marcelo veio transferido de Pontes e Lacerda onde acabou preso por porte ilegal de arma e formação de quadrilha. Ele vinha de Rondônia no dia em que foi preso. O detento negou que Sandro da Silva Rabelo, o “Sandro Louco” e Maurício Domingos da Cruz , o “Raposão”, estivessem liderando o motim. “Não. Esses dois estão em outra cela. O problema é que estamos num raio e o refém ficou em outro onde o pessoal (detentos) atendeu o nosso pedido”. O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) coronel Joelson Sampaio, que participou das negociações disse que o trabalho foi fácil. “Esses presos não se rebelaram. Eles tentaram uma fuga que foi frustada e voltaram. Evitamos uma fuga em massa”, observou. Há um ano a Penitenciária registrou uma rebelião que durou cerca de 22 horas. Na ocasião, os presos libertaram cinco reféns e acabaram entregando dois revólveres para a polícia. Os sentenciados destruíram a ala federal recém-construída para abrigar presos de alta periculosidade e que custou R$ 1,49 milhão. Sob o comando do assaltante Sandro da Silva Rabelo, o “Sandro Louco” e de Márcio Lemes de Lima, o “Marcinho PCC”, os presos aceitaram se render após a garantia de ter banho de sol, análise dos processos de alguns sentenciados e outras reivindicações atendidas.

Edição EDIÇÃO 16968




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