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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

POLÍCIA
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 19h:32

CASO TONI

PF não tomou providência por deportação

Corporação foi avisada em março sobre desligamento de Toni da Silva da UFMT, Polícia Civil o prendeu 2 vezes, mas ele não foi enviado ao país

DAFNE SPOLTI E ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Federal foi comunicada em março deste ano sobre o desligamento do africano Toni Bernardo da Silva, 27, do curso de Economia da UFMT, mas tomou providências insuficientes para deportação do aluno até Guiné-Bissau, seu país de origem. Toni foi espancado até a morte por dois policiais militares e um empresário na noite da última quinta-feira no restaurante Rola Papo, do bairro Boa Esperança. Ele chegou ao Brasil com 22 anos, em 2006, pelo Programa de Estudantes-Convênio Graduação (PEC-G), que envolve os ministérios da Educação e de Relações Exteriores. De acordo com a Polícia Federal, mesmo após comunicado, o primeiro contato feito pela corporação com Toni para que deixasse o país ocorreu apenas quatro meses depois. Quando ele foi preso no dia 10 de julho, pela Polícia Civil, a PF foi comunicada e o notificou como estrangeiro irregular no país. Toni tinha oito dias para voltar para Guiné-Bissau, mas não o fez. Em agosto, o ex-aluno da UFMT se envolveu em outra ocorrência policial. Só então a Polícia Federal soube novamente do paradeiro de Toni, novamente preso. A Polícia Civil comunicou à PF sobre a nova prisão, mas ele já estava sendo solto. Após esse momento, a PF não teve nenhum outro contato com Toni, de acordo com a assessoria de imprensa, porque não mais o encontrou. A UFMT informou que, desde o desligamento de Toni do curso de Economia, tanto o Ministério de Relações Exteriores quanto o da Educação – e a Polícia Federal – foram comunicados do fato. Ontem, a reitora da UFMT, Maria Lúcia Cavalli Neder, durante o manifesto contra a violência no campus da instituição, falou sobre o sentimento de impotência trazido por uma brutalidade como a que sofreu Toni. Ela disse que a UFMT apóia os amigos e família do estudante e que repudia essa violência. O Ministério das Relações Exteriores, que desenvolve o PEC-G com o Ministério da Educação, mandou representante para Cuiabá por conta do ocorrido. Segundo Haddil da Rocha Vianna, subsecretário-geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial do órgão, é uma vergonha para o Brasil ter acontecido um caso dessa gravidade. Ele garantiu que estão trabalhando com o Itamaraty para concretizar o translado. INVESTIGAÇÃO - A Polícia Civil conclui até o final desta semana o flagrante do assassinato. Pelo homicídio, foram presos o empresário Sérgio Marcelo da Silva Costa, 27 anos, e os militares Higor Marcell Mendes Montenegro e Wesley Fagundes Pereira, ambos de 24. Segundo o delegado Antônio Esperândio, responsável pelo flagrante, foram ouvidas algumas testemunhas e, no decorrer da semana, outras serão chamadas a depor. “Serão ouvidas todas que forem necessárias”, frisou. Ele deverá anexar também o laudo de necropsia que ainda não foi entregue. No interrogatório, os dois militares disseram que não conheciam o empresário e somente se envolveram com o caso porque estavam no local. Testemunhas disseram que Sérgio, a esposa e o estudante rolaram no chão e, por isso, os dois militares foram separar, mas também espancaram o estudante. “Os três – os dois PMs e o empresário – bateram na vítima”, relatou uma testemunha. “Vimos o estudante, o rapaz (Sérgio) e a namorada deste embolados no chão, parecia cena de filme”, completou a testemunha. Após a prisão, os PMs foram levados para o 1º Batalhão no bairro Porto. Por medida de segurança, o empresário está preso na Gerência Estadual da Polinter, já que se trata de filho de um delegado de polícia. O pai dele, Almerindo Costa, se aposentou recentemente.

Edição EDIÇÃO 16960




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