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POLÍCIA
Quinta-feira, 25 de Março de 2010, 23h:03

Pai de Kaytto emociona Tribunal com sofrimento

O mais aguardado depoimento do julgamento de ontem foi o do pai de Kaytto, Jorgemar Luis da Silva Pinto. O contador, de olhar sempre distante e apático desde a morte do filho, participou apenas de algumas partes da sessão, mas não deixou de marcá-la com seu relato emocionado da convivência com Kaytto e com as palavras dirigidas ao assassino – que ouviu tudo cabisbaixo e imóvel. Para dar uma noção da dor causada pelo crime de Delfino, Jorgemar frisou que seu relacionamento com Kaytto era de “mais que pai e filho, mas de amigos”. Disse que Delfino - a quem se refere somente por “este indivíduo” - simplesmente destruiu os sonhos que tinha para o filho. Emocionado, ele precisou interromper a fala para chorar – no que foi acompanhado até por outros que assistiam o julgamento - e instalou-se o silêncio na sessão. Delfino nem se mexeu. Já quando questionado se teria algo a dizer para o assassino, Jorgemar não alterou o calmo tom de voz, mas foi duro: perguntou-se “por que eu dei almoço, serviço, e ele fez essa atrocidade com meu filho? Por que ele fez essa traição, tanto comigo quanto com meu filho?”. Por conta do drama que passou, Jorgemar ainda deixou uma advertência para os pais, afirmando que os pedófilos geralmente são pessoas próximas às famílias de suas vítimas. Destacou ainda que, sendo Delfino condenado ou não, tanto fazia, pois nada poderia lhe amenizar a dor. “É coisa que não vai sarar nunca. Eu estou sofrendo, vou sofrer e não sei até quando”. Entretanto, ainda deu um crédito à Justiça e apontou como positivo o fato de que, em menos de um ano após o crime que tirou a vida de seu filho, “conseguimos pôr este indivíduo perante a Justiça, que tem que existir e vai existir. Se a Justiça não existir, o que será de nossos anjinhos, nossas crianças?”. (RD)

Edição EDIÇÃO 16959




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