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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 22 de Setembro de 2012, 15h:24

SETE ERROS

Operação prende 20 pessoas em Cuiabá

Elas solicitavam cartões sem o conhecimento dos clientes e em seguida, usavam o crédito no mercado. Polícia calcula que prejuízos são superiores a R$ 1 milhão

Laura Nabuco
Da Reportagem
O Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil prendeu 20 pessoas, sendo sete funcionárias da rede de supermercados Modelo, acusadas de estelionato. A quadrilha emitiu cartões de crédito em nome de 1,1 mil pessoas e causou um prejuízo de mais de R$ 1 milhão. Edivaldo da Silva, 45 anos, é apontado como chefe do grupo. Segundo a polícia, foi ele quem conseguiu os documentos pessoais das vítimas. A suspeita é que a maior parte delas seja antigos clientes da loja de material de construção, na região do Jardim Imperial, em Cuiabá, da qual ele era proprietário. Silva teria aproveitado seu acesso ao banco de dados do Serasa para recolher informações sobre os antigos clientes. Os dados eram repassados a sete funcionárias do Modelo, contratadas exclusivamente para confeccionar cartões de crédito. Conforme a polícia, elas atuavam nas lojas do Shopping Pantanal e do bairro CPA II. Além da comissão que apropria empresa oferecia pelo cumprimento de metas, elas recebiam de Silva uma porcentagem do limite de cada cartão emitido. Os cartões eram usados para saques em dinheiro ou compra de equipamentos em lojas. Boa parte dos comerciantes também está envolvida na fraude. “A pessoa que recebia o cartão simulava uma compra, pegava o valor do suposto objeto em dinheiro e dava uma porcentagem para o empresário que ‘emprestava’ a máquina do cartão”, explica o delegado adjunto da GCCO, Gianmarco Paccola Capoani, que comandou as investigações. A quadrilha agia há pelo menos quatro meses, mas já era rastreado há três. As primeiras suspeitas partiram do banco ao qual o supermercado é vinculado. A instituição desconfiou porque apenas sete endereços eram usados para enviar os cartões fraudados. Uma das residências recebeu pelo menos 350 cartões. Além disso, uma das funcionárias emitiu mais de 300 cartões num único dia. Os cartões tinham limite de crédito entre R$ 600 e R$ 1,2 mil, mas algumas unidades chegaram a R$ 6 mil. A estimativa é que o prejuízo seja superior a R$ 1 milhão. A polícia ainda conseguiu evitar que outros R$ 500 mil fossem usados pela quadrilha, já que apreendeu pelo menos 178 cartões que ainda não haviam sido desbloqueados. “Mas esse prejuízo pode ser maior, porque pode haver compras que ainda não foram faturadas e pessoas que têm esses cartões e ainda não foram identificadas”, diz Paccola. O delegado adianta que a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) será acionada para investigar as lojas que eram usadas pelo grupo. Na operação, que recebeu o nome de “Sete Erros” e foi deflagrada na última quinta-feira (20), foram apreendidos cerca de 400 cartões, quatro aparelhos de televisão de luxo avaliados em R$ 19 mil, três notebooks, um vídeo game, celulares e até mesmo uma motocicleta no valor de R$ 5 mil. Das 20 pessoas presas, seis ainda estão sendo indiciadas e oito foram pegas em flagrante, entre elas o próprio Edivaldo e Vilmar da Rocha Loveira, 41 anos, apontado como braço direito do chefe da quadrilha; os comerciantes Wirley da Silva Almeida, 24, e Fernanda Silva Pereira Gomes, 30; e ainda as funcionárias do supermercado Modelo, Cristiane Maria da Silva, 29, Pauline Bianca Pedroso, 24, e o marido dela, Luiz Claudio da Mata Figueiredo, 34, e Jussara Cruz de Souza, 26, que conseguiu ser solta por estar amamentando.

Edição EDIÇÃO 16964




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