Meninas voltam para casa, mas risco de abuso é real
O Ministério Público Estadual (MPE) concordou que as quatro filhas do pedreiro Édio Edmundo Figueiredo, de 36 anos, retornassem para a casa da família, num bairro próximo ao Ribeirão do Lipa. O pedreiro está com a prisão preventiva decretada, sob a acusação de estuprar a filha de 12 anos. Após a denúncia, ela ficou sob os cuidados do Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), pois além do abuso sexual comprovado havia a suspeita de que estivesse grávida do próprio pai. As demais crianças estavam na casa de parentes. A volta das meninas para casa ocorreu anteontem, após a realização de audiência na Vara da Infância e Juventude. A mãe das crianças garantiu que Édio estava foragido e que há muito tempo não aparece em casa. Com isso, o MPE aceitou o retorno das crianças. Acontece que um dia antes, na quinta-feira, as crianças tinham dito o contrário ao pessoal no Creas. Elas relataram que o pai chega à casa de noite para dormir, e que antes do amanhecer ele vai embora. O acusado estaria escondido nas proximidades da residência da família. Depois que essa informação foi repassada ao comandante da Companhia Comunitária do Santa Isabel, os policiais de plantão disseram que a prisão dele é só uma questão de tempo. Para conselheiros tutelares da Capital, a decisão de permitir a volta das meninas para a casa é temerária, uma vez que a filha vai se reaproximar do pai e poderá entrar em estado de choque. As crianças disseram a verdade. Cabe à Justiça rever essa decisão, observou um conselheiro. Édio Edmundo está com a prisão preventiva decretada desde o dia 13 de março deste ano, após o MPE ter sido informado sobre o abuso sexual do qual é acusado. Ao ter a prisão preventiva decretada, a Justiça mandou que as crianças retornassem ao lar. Após denúncias de que o pai voltava para dormir, as crianças ficaram com parentes. A menina de 12 anos quis ficar no Creas porque temia encontrar o pai. O caso chegou até o Conselho Tutelar após denúncia recebida pelo Disque 100, um número gratuito cujas atendentes estão em Brasília e atendem ligações de todo país. São denúncias relacionadas a abuso sexual e violência contra crianças. A informação foi repassada para Cuiabá, e uma conselheira esteve na casa onde constatou a situação, e pediu o abrigamento da garota numa instituição de amparo a crianças. Ela foi ao Cisc Verdão e registrou queixa. As investigações foram transferidas para a Delegacia de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica). (AR)