POLÍCIA
Quarta-feira, 28 de Março de 2007, 21h:34
A
A
FRIEZA
Mãe confessa assassinato do filho de 5
Miguelina Índio, mãe de Leonan, contou em depoimento que espancou e afogou o menino por estar endividada; ela terminou o crime e saiu para trabalhar
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Fim do mistério. O garoto Leonan Bruno Muniz Índio, de 5 anos, foi torturado e afogado pela própria mãe, a empregada doméstica Miguelina Miranda Muniz Índio, de 29, que confessou ontem o crime com detalhes na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O assassinato ocorreu na madrugada do dia 14 deste mês, no bairro CPA. Fria e calculista, ela matou o próprio filho e foi trabalhar normalmente, voltando somente à tarde. Conhecida entre os policiais como mãe assassina, ela relatou ao delegado Márcio Pieroni que estava descontrolada por causa de problemas familiares. Então, pegou o filho que estava sentado na cama e começou a espancar o menino, jogando-o no chão por três ou quatro vezes, acertando a cabeça. Durante o espancamento, Leonan pedia para a mãe parar, mas não foi atendido. Ao perceber que o filho não apresentava reação, levou-o até o banheiro, colocou a cabeça do menino dentro do balde dágua simulando um afogamento por acidente. Miguelina disse ao delegado não se lembrar se o balde estava cheio ou com água pela metade. Foi um crime bárbaro. Desconfiamos desde o início, porque ela (Miguelina) não se emocionava e os depoimentos eram contraditórios quando comparados com o do marido. Sem falar que seria impossível uma criança daquele tamanho se afogar num pequeno balde e com metade de água, explicou o delegado. Miguelina confessou o crime durante seu terceiro depoimento. Alegou que não premeditou o assassinato. Disse que foi dormir na noite do dia 13 preocupada, porque o gás tinha acabado. Ao acordar, por volta das 5h30, recebeu a visita da proprietária da casa que cobrava R$ 350 do aluguel atrasado. Ao retornar para o quarto, encontrou Leonan sentado na cama. Vai trabalhar de novo, mãe?. Irritada com a observação do filho, o jogou no chão iniciando a sessão de tortura que terminou com o garoto afogado no balde. Como estava vestida, saiu para trabalhar deixando a porta no trinco e portão aberto para a chegada da babá. A filha de Miguelina, Grazielli, de 7 anos, estava dormindo e não viu o irmão ser assassinado. Ela, no entanto, foi a primeira pessoa a encontram Leonan afogado no balde. Em seu interrogatório, a dona-de-casa inocentou o marido, que havia saído para trabalhar cerca de meia hora antes de ser cobrada pela proprietária da casa. Com a declaração, a suspeita que recaia contra o filho de 12 anos da babá Maria Helena da Silva Oliveira, que teria ido buscar a criança naquela manhã, também é afastada. Pieroni pediu a prisão preventiva de Miguelina que, se concedida, irá para o presídio feminino Ana Maria do Couto May.