POLÍCIA
Sábado, 14 de Março de 2009, 14h:27
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PRÁTICA DE EXTORSÃO
Ladrões se adaptam a novos tempos
A bandidagem já sente na pele os reflexos da Operação Xeque-mate, desencadeada na semana passada pela Polícia Civil, e que fechou uma das maiores oficinas de desmanche de motos da Grande Cuiabá. Sem ter a quem vender, os ladrões estão extorquindo as próprias vítimas, ligando para elas e cobrando entre R$ 500 e R$ 1 mil para devolver os veículos. Somente na última quinta-feira ocorreram dois casos desses. Para ter de volta sua motocicleta Honda CG vermelha, o proprietário teve que pagar R$ 500 aos ladrões. A moto dele fora roubada na quarta-feira, à noite, no bairro São Mateus, em Várzea Grande, por dois homens armados com revólveres. Eles invadiram a casa e obrigaram o dono a se esconder embaixo da cama. Na quinta-feira de manhã, ele pagou R$ 500 pela moto, que lhe foi devolvida no Jardim Vitória, possivelmente pelos mesmos bandidos que praticaram o roubo. Os ladrões tinham pedido inicialmente R$ 1 mil, mas na negociação acabaram deixando pela metade do preço, explicou um policial de plantão na Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DERRFVA). No mesmo dia, o dono de uma Honda Tornado foi assaltado, às 7 horas da manhã, no momento em que saía de sua casa, situada no bairro Mapim. Horas depois, os ladrões ligaram para o proprietário e devolveram o veículo, após extorquir o dono no valor de R$ 1 mil. As duas vítimas, no entanto, só comunicaram o fato à polícia após o pagamento da extorsão. O delegado Roberto Amorim, titular da DERRFVA, informou que o número de motocicletas roubadas diminuiu de forma significativa após a operação. No entendimento dele, isso é um reflexo da Xeque-mate. Sem ter para quem vender, não existe roubo. Não tem segredo. Sem receptador, não existe crime, salientou. Amorim lembrou que a extorsão praticada por ladrões de motocicletas não é novidade, mas pode se intensificar a partir de agora, pois um dos maiores receptadores de motos está sendo procurado pela polícia. Na última terça-feira, policiais civis fecharam a empresa Mané Multi Marcas, no bairro Figueirinha, onde eram desmanchadas de três a cinco motocicletas diariamente. O aumento das extorsões preocupa os policiais, pois muitas vezes as vítimas não informam que pagaram para reaver o veículo. Com isso, os criminosos não são investigados e ficam soltos. As vítimas precisam entender que a extorsão é um crime grave e que precisamos contar com a ajuda delas para prender os autores, senão ficarão eternamente impunes, alertou o delegado. As investigações apontam que não existe uma quadrilha especializada em roubo. Eles são feitos sob encomenda pelo receptador. Os policiais da DERRFVA explicaram que são vários os assaltantes que praticam esse tipo de crime. É aquela velha história. O ladrão sabe que roubando tal produto tem dinheiro fácil, e então parte para aquela modalidade, disse um policial. (AR)