Os traficantes Paulo Felizardo de Sá, 52, e Guilherme Henrique Laureth da Silva, 24 anos, tiveram negado pedido de soltura feito pela defesa de ambos.
O habeas corpus foi negado pelo desembargador plantonista Gilberto Giraldelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Os dois bandidos são, respetivamente, pai e genro de Angélica Saraiva de Sá, 34, conhecida como “Angeliquinha”, apontada como líder da facção criminosa Comando Vermelho, no Extremo-Norte de Mato Grosso.
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Eles foram presos no dia 5 passado, durante a Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil, em cumprimento a mandados de prisão preventiva expedidos pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá).
Além do pai e do genro de Angeliquinha, Kauany Beatriz, de 20 anos, filha da faccionada, também foi alvo da operação.
Nas redes sociais, a jovem acumulava mais de 42 mil seguidores no Instagram, onde se apresentava como “figura pública” e “jogadora de slots”, ostentando uma rotina de luxo.
Segundo as investigações, o núcleo familiar era ligado ao CV e envolvido com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e divulgação de jogos de azar.
As ordens judiciais foram decretadas com base em investigações conduzidas em inquérito policial conjunto, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e da Delegacia de Alta Floresta (803 km ao Norte da Capital)
De acordo com as investigações, no período de um ano e sete meses, o grupo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões relacionados às atividades do tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, em Alta Floresta.
O esquema utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados e beleza, além de plataformas de jogos de azar on-line, para dar aparência lícita aos valores.
Paulo Felizardo, pai de Angeliquinha, também é apontado como gerente de garimpos irregulares e prostíbulos, na região de Nova Bandeirantes (1.029 km ao Norte de Cuiabá).
No habeas corpus apresentado ao tribunal, a defesa argumentou que os investigados sofriam constrangimento ilegal, pois permanecem detidos na Delegacia da Polícia Civil de Alta Floresta.
O local, segundo o advogado, não tem estrutura adequada para custódia prolongada de presos.
O advogado também alegou que Felizardo tem problemas cardíacos e necessita de medicação contínua.
Ao analisar o pedido em caráter liminar, durante o plantão judicial, o desembargador Gilberto Giraldeli entendeu que não estavam presentes os requisitos para concessão imediata da liberdade, mantendo a decisão que determinou a prisão preventiva dos investigados.
Com isso, os dois permanecem presos, enquanto o mérito do habeas corpus ainda poderá ser analisado, depois, pelo colegiado do tribunal.
FORAGIDA - Em 2025, Angélica Sá, coniderada líder da "família do crime", foi condenada a quase 100 anos de prisão por assassinato, ocultação de cadáver e por integrar a facção criminosa.
Angeliquinha cumpria pena na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu acompanhada de outra presidiária, na madrugada do dia 17 de agosto de 2025.
Desde então, está foragida e é considerada de alta periculosidade.
Ela é acusada de mandar executar membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), principal rival do CV, em 2022.
OSTENTAÇÃO E DOMICILIAR - A vida de luxo, exibida nas redes sociais pela filha de Angélica de Sá chamou atenção nas investigações conduzidas pela Polícia Civil, no contexto da Operação ShowDown.
Se apresentando como inflenciadora digital e empresária, Kauany e o seu marido, Guilherme Luareth, 24, mostravam no perfil do Instagram uma rotina de luxo, considerada incompatível com a renda declarada.
O casal ostentava carros de alto valor, viagens internacionais e empreendimentos comerciais, em uma demonstração de alto poder aquisitivo.
A Justiça concedeu prisão domiciliar a Kauany.
A audiência de custódia foi conduzida pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, na sexta-feira (6).
Na decisão, o magistrado citou que Kauany é gestante e mãe de uma criança menor de 12 anos.




