NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 07 de Março de 2026, 09h:49

CRIME ORGANIZADO

Ostentação de luxo chamou a atenção para 'família do CV'

Empresas de fachada e divulgações de jogos de azar eram utilizados para justificar patrimônio incompatível

Da Redação
PJC/Reprodução Instagram
Kauany Sá, de 19 anos, e o seu marido, Guilherme Luareth, 24 (detalhe), mostravam, no perfil do Instagram, uma rotina de luxo, considerada incompatível com a renda declarada

A vida de luxo, exibida nas redes sociais pela filha de Angélica Saraiva de Sá, 34 anos, líder da facção criminosa Comando Vermelho, chamou atenção nas investigações conduzidas pela Polícia Civil, no contexto da Operação ShowDown.

A ação policial foi deflagrou na ultima quinta-feira (5), para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra um núcleo familiar com atuação Norte do Estado.

O grupo é acusado de participação em um esquema de lavagem de R$ 20 milhões do tráfico de drogas.

Leia também:

Polícia fecha empresas de 'família do CV' que lavou R$ 20 milhões

Foram cumpridas medidas de sequestros de veículos, móveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoa jurídica.

As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e cumpridas nas cidades de Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá) e Nova Bandeirantes (1.029 km ao Norte).

Se apresentando como inflenciadora digital e empresária, a filha de Ângela de Sá, a jovem Kauany Beatriz da Silva Sá, de 19 anos, e o seu marido, Guilherme Luareth, 24, mostravam no perfil do Instagram uma rotina de luxo, considerada incompatível com a renda declarada.

O casal ostentava carros de alto valor, viagens internacionais e empreendimentos comerciais, em uma demonstração de alto poder aquisitivo.

As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e Delegacia de Alta Floresta, demonstraram que, mesmo foragida, a mãe, líder da facção, continua atuando no crime, por meio de ações de seus familiares. 

A sua filha teria papel importante na movimentação financeira ligada ao grupo criminoso, lavando o dinheiro com empresas de fachada e supostos ganhos com jogos de azar on-line.

OSTENTAÇÃO - Com mais de 40 mil seguidores na rede social Instagram, Kauani Beatriz compartilhava em seu perfil fotos e vídeos exibindo um padrão de vida elevado. 

Entre as publicações, o casal aparecia em fotos de viagens internacionais e registros de momentos em destinos considerados exclusivos, como Suíça, Dubai, Ilhas Maldivas e Caribe, destinos turísticos conhecidos pelo alto custo.

Além das viagens, o casal também exibia veículos de grande valor.

Entre eles estã,o uma Toyota Hilux, uma GM S10 e uma Dodge Ram 3500 Laramie 2024, avaliada em mais de R$ 415 mil.

Somados, os veículos ultrapassam R$ 500 mil em patrimônio.

RENDA INCOMPATÍVEL - A ostentação do casal chamava atenção, uma vez que nenhum dos dois possui ocupação profissional que justificasse o padrão de vida, evidenciando à ligação aos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. 

As investigações apontaram ainda mudança rápida no padrão de vida do casal.

Publicações antigas nas redes sociais mostram uma realidade considerada mais simples.

Em 2023, por exemplo, o genro da líder da facção, Angela de Sá, conhecida como "Angeliquinha", comemorava a compra de uma motocicleta de baixo valor.

Pouco tempo depois, passou a aparecer nas redes sociais dirigindo caminhonetes de luxo.

BAIXA MOVIMENTAÇÃO - Apresentando-se como empresária e influenciadora digital, a jovem Kauany  possui ao menos duas empresas registradas em Alta Floresta: uma loja de calçados e um estúdio de beleza, que seriam utilizadas na lavagem do dinheiro do tráfico. 

As investigações apontaram que os estabelecimentos apresentam movimentação considerada muito baixa de clientes, reforçando as suspeitas de que os negócios eram utilizados para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.

JOGOS DE AZAR - Um dos pontos identificados pela investigação é o uso de plataformas digitais de apostas, popularmente conhecidas como jogos de “slots”, incluindo o chamado “tigrinho”, para a prática de lavagem de dinheiro da facção.

Nas redes sociais, a jovem se apresenta como “jogadora de slots” e influenciadora de plataformas de apostas, divulgando jogos e supostos ganhos.

No entanto, as investigações apontaram que esse tipo de plataforma era utilizado para inserir valores de origem criminosa e posteriormente apresentar o dinheiro como se fosse resultado de ganhos em jogos online.

DOMICILIAR - A Justiça concedeu prisão domiciliar à influenciadora digital Kauany Beatriz de Sá Silva.  

A audiência de custódia foi conduzida pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop, na sexta-feira (6).

Na decisão, o magistrado citou que Kauany é gestante e mãe de uma criança menor de 12 anos.

Também passaram por audiência Guilherme Luareth, namorado da influenciadora, e o avô dela, Paulo Felizardo, de 52 anos.

Ekes tiveram as prisões preventivas mantidas.


Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL