POLÍCIA
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2008, 20h:48
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JULGAMENTO
Ex-PM vai a júri por morte de chacareiro
Rutênio de Miranda enfrentará os jurados na quinta-feira, acusado de homicídio qualificado contra Márcio Rosa, crime ocorrido em agosto de 2005
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O ex-policial militar Rutênio Pires de Miranda será julgado na quinta-feira pelo assassinato do chacareiro Márcio Aurélio Leocádio Rosa, crime ocorrido em agosto de 2005, na cidade de Santo Antônio de Leverger (cidade a 27 quilômetros de Cuiabá). O julgamento deveria ocorrer em outubro, mas foi transferido para este mês. Ele foi denunciado (acusado formalmente) por homicídio qualificado motivo torpe e ocultação de cadáver. Em setembro, o irmão de Rutênio, o também PM Evaldo Santana de Miranda, foi condenado a 12 anos de prisão pela participação na execução do chacareiro. O julgamento foi transferido de comarca porque a Justiça entendeu que havia risco para os jurados de Leverger, cidade onde o assassinato foi cometido. Segundo o MPE, houve ameaça aos jurados. O PM Evaldo, que está preso, é namorado da ex-escrevente Beatriz Árias, condenada pelo assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral. Quando a prenderam, no ano passado, policiais civis apreenderam na casa dela uma lista com os nomes dos jurados, incluindo anotações e indicações junto com documentos e papéis referentes a cada um deles. Esta lista, segundo o MP, comprometeria o julgamento e, por isso foi solicitada a mudança da comarca. Outro agravante é que o juiz Lídio Modesto da Silva Filho disse ter sido procurado por um jurado que temia pela sua vida e a de seus familiares, e que haveria outros jurados com medo. Para o promotor criminal João Augusto Gadelha, a nova lei de trâmite processual e julgamento dos crimes contra a vida dará agilidade ao julgamento. O CASO - Márcio Rosa foi levado de sua casa por três pessoas no dia 27 de agosto daquele de 2005, em Santo Antônio de Leverger. Os homens, segundo depoimentos de um casal que também foi vítima de agressões, buscavam um homem identificado como Donizete, que teria roubado uma moto Biz preta do PM Rutênio. Rutênio foi reconhecido pelo casal alguns dias depois, quando trabalhava como soldado na cidade. Preso no presídio de Santo Antônio de Leverger, ele foi denunciado por roubo e ameaça. A ossada humana foi localizada no dia 31 de outubro de 2006 numa chácara pertencente aos irmãos do soldado Rutênio. Os irmãos do PM acusado, Evaldo Santana de Miranda e Samil Pires de Miranda, moradores da chácara onde a polícia achou a ossada e armas, também foram denunciados por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e acessório ou munição de uso proibido ou restrito. Na ocasião, a Polícia Civil encontrou na casa de Samil um grande arsenal: uma pistola Taurus 7.65 carregada, uma carabina calibre 44, um revólver calibre 22, um revólver calibre 357, dois silenciadores, um capuz, duas miras (uma a laser), entre outros objetos.