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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 19 de Abril de 2008, 15h:37

GRANDE CUIABÁ

Em 3 anos, 9 crianças são vítimas de pais

Casos semelhantes ao de Isabella Nardoni, de São Paulo, acontecem com freqüência na região, em que responsáveis tentam ou matam filhos a sangue-frio

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O assassinato da menina Isabella Nardoni, 5 anos, supostamente morta pelo pai e a madrasta e que comoveu todo o país, não é uma tragédia exclusiva de São Paulo e o problema não está tão longe. Em menos de três anos, nove crianças de até 5 anos de idade e também bebês foram vítimas dos pais ou parentes que tentaram matá-las a sangue-frio. Por sorte, quatro delas sobreviveram. São dois casos em que as mães tentaram queimar vivos os filhos. Estes foram salvos por vizinhos. As nove crianças fazem parte de casos menos populares, porém violentos na mesma intensidade, ocorridos na Grande Cuiabá. A história recente de violência contra criança mais conhecida na Grande Cuiabá é a da morte do menor Leonan Bruno Índio, de 5 anos, cuja mãe, Miguelina Muniz, está presa e aguarda julgamento por homicídio qualificado. Ele foi espancado e depois afogado num balde em sua casa, no CPA, ano passado. Casos menos conhecidos como o da dona-de-casa Kátia Quadros, de 30 anos, que tentou matar os dois filhos – um de sete anos e outro de um ano – ateando fogo na casa, ficou esquecido. Ela foi declarada incapaz e está em prisão domiciliar. Outro fato tão grave quanto o de Kátia ocorreu no Altos do Boa Vista, na Capital. A dona-de-casa Sueli Farias de Souza, de 28 anos, também foi acusada de atear fogo no barraco e tentar matar os dois filhos, um de três anos e outro de cinco meses. Ela saiu do presídio feminino há alguns meses, após o Ministério Público ficar em dúvida se ela praticou mesmo o crime. De qualquer forma, as crianças foram salvas por vizinhos, que perceberam a fumaça e as pegaram. As quatro crianças sobreviventes – filhas de Kátia e de Sueli - moram com respectivos parentes e, mesmo jovens, as vítimas podem ter seqüelas psicológicas para o resto da vida. “O problema não acaba quando a criança sobrevive num caso desses. Começa um drama e elas precisarão de um acompanhamento psicológico”, assinalou o delegado Márcio Cambahuba, da Delegacia de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica). A psicóloga Helen Catarina Ramos Capistrano, uma especialista no assunto, explicou que, em 90% dos casos, os adultos agressores também passaram por alguma violência no passado. Acrescentou que, se for buscar o histórico desse agressor, encontrará algum tipo de violência física ou psicológica. Helen Catarina destacou que a sociedade se sensibiliza com a vítima, no caso de uma criança, mas em alguns casos, não sabe que o agressor também um dia foi vítima. “A violência contra crianças e adolescentes choca porque são pessoas mais frágeis”. No entendimento da psicóloga, é possível evitar esses casos. Bastaria um trabalho de prevenção, mas lembrou que o país não tem uma política voltada para esse tipo de situação. Para ela, a ausência de manicômios judiciários acaba agravando os casos, pois a pessoa deveria estar internada para um tratamento. “É, em muitos casos, problema de doença e, por ser uma pessoa doente, precisa ser medicada”, frisou.

Edição EDIÇÃO 16964




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